sábado, 25 de dezembro de 2010

Com a idade, parece que o tempo acelera


Enquanto reúno força pra outro recomeço, natural da vida, reproduzo alguns textos interessantes como este:
Assim, de repente, enquanto o diabo pisca o olho, chegamos a mais um Natal. Em alguns dias já entraremos no ano novo. Daqui a pouco, chegarão o Carnaval, a Páscoa... É tudo muito rápido. A cada ano parece que a velocidade do tempo aumenta. Por quê?
Aqui o restante.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Pode ser mentira, mas no ano de 2030......


...os jogos de futebol serão arbitrados pela internet.
...todas as mães serão eletrônicas.
...os micróbios serão ampliados mediante determinados produtos químicos e mortos a pauladas.
...o controle do cérebro através do cérebro eletrônico será tão fácil, qualquer pessoa, por mais tola que seja, poderá movimentar um cérebro eletrônico depois deste lhe ter colocado no cérebro a maneira de fazeê-lo.
...as guerras não serão somente bacteriológicas mas também psico, meteoro, termo e escatológicas.
...teremos leite em abundância sem necessidades de vacas.

By Daily Míllor.

http://www2.uol.com.br/millor/index.htm

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Entreabrindo a porta

"A direita – é uma coisa que tenho dito muitas vezes – merece que gente mais sofisticada defenda sua causa. O sistema de pensamento que foi pregado no Brasil por conservadores brilhantes como Gudin, Bulhões, Simonsen e Roberto Campos não pode se ver à mercê de pedestres como Villa, Jabor, Wack, Merval e Reinaldo Azevedo.

Aqueles faziam pensar e muitas vezes atraíam, pela sofisticação do raciocínio e pela lógica da argumentação. Estes afugentam, pela indigência mental e pela rudeza do palavreado."

O texto completo aqui.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Imagem




















Outra do Jairo - http://assimcomovoce.folha.blog.uol.com.br - capturada neste findi na caminhada "Superação" pela orla do Rio de Janeiro.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

É o presente?


Pesquei este curta de um spam da amiga Leda, de Goiânia, um sutil aviso sobre a tênue linha que separará o real e o virtual nas próximas décadas. Bruce Branit, cineasta em computação gráfica, gastou cerca de quatro horas filmando as cenas com humanos e dois anos pra concluir o curta. Foi premiado em alguns festivais americanos como o Internacional de Cinema de Indianapólis.
É um exercício da holografia e um pouco de paciência com os atores.
No link veja World Builder na fonte.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Água pra tudo


Ao mudar a alimentação, descobri que a água não poderia ficar de fora.
Agora, antes do café, bebo o primeiro copo. Ao dia, no inverno, são cerca de três litros. No verão pode chegar a cinco, rotina que só é quebrada ao viajar, pra não ter que ir ao banheiro, inacessível aos deficientes. Chego em casa com "secura", curada com dois litros d'água, bebida sempre ao natural. No verão faço meio-a-meio, gelada/natural.
Nos seis anos de reeducação alimentar, banimos refrigerante.
Aqui um texto sobre as múltiplas propriedades da água, como bolsa, compressa e o antiguíssimo "escalda-pé", de 4.000 a.c

sábado, 4 de setembro de 2010

Espanto das duas


Nesta semana fomos a Cachoeiro de Itapemirim, a terra do Rei, do Bininha, do Trevisan e outros mais, realizar exame de vista. O local inicialmente indicado não tinha nada de agradável. Lá informaram a Paula que o atendimento seria num prédio mais à frente, um contraste gritante com o primeiro. Não só por seu aspecto novo, mas principalmente pela estrutura, meia-acessibilidade e o procedimento, tanto na triagem dos pacientes, como da médica oftalmologista.
Uma prova que o SUS não necessariamente seja só descaso com seus usuários. Recurso existe e não é pouco.
Mas como tudo não é perfeito, voltamos ao local inicial pra remarcar nova consulta e uma provável cirurgia de pterígio. A atendente indicou a necessidade de um carimbo na requisição, feito em outro local, a uma distância razoável. Em se tratando de Cachoeiro, um sobe-e-desce descomunal de ladeiras, é uma tarefa árdua pra maioria da população usuária do serviço.
Pra nós com carro foi fácil.
A Paula devolveu a requisição e a atendente pasmada, indagou: -
- Ué, carimbaram?
- Porquê? Indagou a Paula.
- É que só carimbam pela manhã, respondeu a atendente.
- Agora que você me fala, retrucou a Paula.
Pano rápido: carimbaram sem nada ter sido perguntado ou anotado.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Peixe ensaboado


O título veio do chapaço Dino, expressão de um amigo dele cunhada pra definir o comportamento do governo capixaba.
Com as devidas licenças vou usá-la pra cima do Sr. Trovão, Paulo Hartung, governador capixaba, que há poucos dias, na visita da Dilma a Vitória, disse apoiá-la pra presidente.
Não faço coro com a imprensa nativa para o "fato histórico", lembrando que ele não fez o mesmo nas eleições de 2002 e 2006.
Adendo meu: no segundo turno de 2006, ele pocou pra fora do país, deixando a brocha na mão do Lula, a despeito da ajuda do presidente pra que sua administração ficasse de pé.
Conceituar atos do Sr. Trovão é um exercício inútil e fútil.
Continua lá, impávido sobre o muro.
O post considera ele peixe ensaboado, humilde contribuição ao rol de outros 'predicados" que o caracterizam aqui: Imperador, Ditador, Bonapartista, PH........
Aqui mais do peixe ensaboado.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Valeu pretinho!


Foi uma separação amigável. Mesmo sendo consensual essas coisas acabam presas a detalhes que prolongam o seu desenlace. Foram quase quatro meses pra legalizar o ato, período em que ocorreram situações capazes de suscitar dúvidas se ele seria consumado.
Ele partiu sem garantias reais, tamanha a euforia do novo proprietário pelo achado, graças ao dote de único proprietário, atestado pela Nota Fiscal de compra. Felizmente imperou a palavra, gesto que deve nortear as relações dos cidadãos.
É claro que fica a lembrança da convivência. Afinal, a relação durou 14 anos. Foi o primeiro carro zero adquirido, desprovido de parâmetro material, mas pela mobilidade.
Foram mais de 215 mil quilômetros rodados, em trechos como Brasília - onde foi comprado, na segunda passagem por lá - Vitória e vice-versa; Brasília-Goiânia; Brasília-Pirenópolis; Brasília-Araguaia pra conhecer as suas "praias'; Vitória-Salvador; Vitória-Jerônimo Monteiro; Vitória-Nova Venécia; e, por último, Aldeia-Brasília e Aldeia-Vitória.
Não há queixas. Ao contrário, mesmo com o agravamento da siringomielia nos últimos anos, o pretinho - Astra 2.0 - foi de uma lealdade ímpar. Os poucos problemas mecânicos aconteceram em locais com recursos.
Valeu pretinho valente!
Sua existência continua.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Registrando


Salvo contratempo, mesmo porque o assunto é árido, fugidio, embora não tenho estatística - a oralidade também é uma forma de registro - a aldeia teve neste ano o primeiro inverno de verdade e um dos dias mais frio dos últimos 40 anos, com a sensação térmica chegando aos 10º.
Convenhamos que pra um maratimba que vive paramentado só de sandália e calção o ano todo foi um descalabro.
Exemplo eloqüente do ocorrido: Nélio, nosso Kojak, figuraça daqui, que diariamente exibe a pança avantajada e a careca brilhante, cuja indumentária se resume a um calção, foi pego de moleton, tênis e camiseta, reconhecido graças ao seu físico e o andar. Pode não ser um maratimba de quatro costado pra exemplificar o fenômeno, mas ele pegou o gosto pelo ar marinho e encarnou o espírito da coisa. Portanto um exemplar fidedigno que não fica devendo nada a fauna local.
Nós que chegamos pra cá há sete anos estranhamos muito a mudança repentina.
O normal são as frente frias que não duram mais que uma semana. O frio foi de lascar.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Vai entender


Dificilmente terei a resposta pra esta pergunta: O que leva uma pessoa a pular 1,90 metros pra roubar um vaso de planta na sua varanda?
Terça, 17, após o café, rotina da manhã, fomos ler o jornal.
A Paula, surpresa, indagou se eu não tinha percebido alguma coisa.
- Não, respondi.
- Roubaram uma planta - apontou, incrédula para os vasos que ficam na varanda.
Verdade. Faltava o antúrio, presente da irmã Eloisa, quando chegamos à aldeia há sete anos. Com outros dois formava a nossa "coleção" de plantas.
Tinha pouco menos de meio metros de altura e o vaso pesava uns 15 kg de terra. Estava se preparando pra florir nesta primavera, época que também atraia um besouro, de uns cinco centímetros, pra tarefa de polinização.
Já tínhamos sido surpreendidos com o furto de uma lâmpada fluorescente e também de algumas peças de roupas, mas a do vaso com o antúrio foi inusitado.
Reitero, não racionalizo uma resposta para o fato.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

De um lado ao outro


Há poucos dias bordejamos por um trecho do Espírito Santo, uma espécie de viagem a um passado recente que, por circunstâncias da vida, consequência da siringomielia, não fazia desde 2004.
Não que eu tenha desistido. Só que agora a logística é mais complexa. Não depende mais só do desejo e de uma bolsa com algumas peças de roupas pra viagem.
Fomos de Marataízes, sul capixaba, a Nova Venécia, no noroeste, um percurso de cerca de 450 km, pra rever amigos.
Foi bom constatar a contribuição positivamente pra humanidade.
Como era sentimental, o périplo deu pra ver o entrecorte do Estado, na figura dos seus rios de água, essencial a vida, que insistimos na sua destruição.
Saímos com a água do rio Itapemirim pra dormir banhados com a do Cricaré. No retorno, experimentamos a do Rio Doce, numa estadia em Linhares.
O percurso permitiu também passar pelos rios Benevente, Jucu, Fundão e Preto.
A limitação não é razão pra novas vadiagens.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Os "alemão" tramam


A Gazeta/Vitória, de hoje, 29/07/2010, trás novos indícios da construção, pela Vale, de uma siderúrgica no entorno da aldeia.
A notícia - não tá na edição online - difere de um fato consumado poraqui: Ela tá pagando a Usina Paineiras mais de 50 milhões por uma área de 1.100 hectares em Itapemirim.
O corolário de uma "autoridade" da empresa que abre a matéria é: "A CSU* é o único projeto siderúrgico no Estado, mas a aquisição de área mais ao Sul é uma questão estratégica. A empresa pode, sim, querer implantar, no futuro, outra planta siderúrgica". Ai meus sais!
A área comprada fica próxima do Rio Itapemirim e do mar. Portanto, ao lado de dois bens estratégicos pra esses projetos.
*CSU é uma siderúrgica que tá sendo implantada em Anchieta, indo pra Vitória.

sábado, 24 de julho de 2010

Ninguém escapa


- Bom dia! Desejou um senhor, aparentando ter entre 40 a 50 anos, carregando uma pasta e vestindo uma roupa impecavelmente limpa, bem passada e discreta, distinção desse grupo social. O cumprimento seria uma gentileza, ainda muito usual em locais como na aldeia.
-Bom dia! Respondeu a senhora postada na pequena varanda do sobrado, vizinho à nossa moradia, provavelmente tomando o sol da manhã, espantando o frio que teima em continuar implacável porraqui.
- Posso entrar? Indagou o transeunte, crente em arrebanhar uma nova ovelha.
- Não, não! O portão tá fechado! Respondeu a senhora, demonstrando pelo tom da voz que a "visita" não era bem-vinda. Parece não ter se abalado com a recusa. Talvez por ser algo rotineiro em sua peregrinação à cata de ovelhas pra o rebanho da igreja.
Continuou a caminhada, apostando, creio, que mais à frente outro morador esteja disposto a ouvi-lo. Ou não tenha como fugir ao seu assédio, aceitando seu convite a conversão ao Senhor.

Ps: Quando finalizava o texto fui surpreendido por um fato bisonho. Breve estará aqui.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Exagerou


A manhã desta segunda, 19/7/10, foi braba. Parece que a Usina Paineiras, produtora de açúcar e álcool, resolveu brindar os maratibas. Depois de represar todo o pum da moagem dessa safra de cana, soltou o veneno de uma só vez pra aquele famosa acusão: - Você peidou aí, pô.
Aliás a safra atual difere de outras, sendo colhida mais tardiamente por causa da seca no verão, que retardou o crescimento da cana.
É o vento sul que trás pra cá o fedor do pum, em dias como o de hoje, nublado.
A fábrica tá a uns 18 km, em linha reta, da sede da aldeia.
O pum vem do vinhoto, extraído na fermentação do caldo da cana. Antes era jogado no rio. Agora é espalhado como fertilizante nas áreas de plantio da cana.
Pode ser menos prejudicial ao meio-ambiente, mas o fedor é real em nossas narinas.
Aqui mais pum.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Ao JB de boas leituras


Uma notícia de hoje, 13/7/10, anunciando que a versão impressa do Jornal do Brasil deixará de circular nesta semana, ficando só a online, fecha um ciclo da inteligência brasileira. A sua agonia se arrasta há tempos, entrando na fase terminal já no final dos anos 90 e começo de 2000. Há inúmeros comentários e palpites circulando por ai, dando conta desta sua derrocada empresarial.
Foi pelas páginas de bom JB - Jornal do Brasil - que passei a gostar de ler jornal, graças ao "tio Barroso", que comandava o Correios em "Jerominho" Monteiro, Sul Capixaba, e seu assinante.
Vem lá do meado dos anos 60. Nas décadas seguintes passei a comprá-lo. Inclusive onde trabalhei sempre incentivei a sua assinatura.
No seu ocaso até comprei alguns exemplares. Nada animador.
Depois tentei O Globo, seu fantasma.
Não me verguei.
Viva o JB.

domingo, 11 de julho de 2010

Desbastando


O mato é um organismo vivo. Portanto, cresce.
Mas é um elemento da natureza que vale cultivar.
Os vídeos abaixo remetem aos rocks da turma de Manguinhos/Serra/ES, "pra tirar um som", na década de 80.
Sobradinho era uma das quatro músicas do repertório do Paulinho Play, o tocador dos intervalos.
Numa viagem ao nordeste o acaso nos fez encontrar em Natal. Marcamos o reencontro pra Recife, de onde descemos até Penedo, Alagoas, pra conhecer a foz do Velho Chico. Depois subimos o rio numa mini gaiola até Propiá, Sergipe.
E, claro, Play dedilhando Sobradinho.

Biquini cavadão - Sobradinho

Sobradinho - Sá, Rodrix & Guarabyra (ao vivo)

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Ode


Sou de Auá Mbaê Porã,Terra Sem Males, utopia indígena que virou Espírito Santo.
Sou da terra da moqueca feita com badejo/namorado/pescada ou robalo, limão, alho, urucum, tomate, cebola, cebolinha, coentro e azeite/óleo, só em panela de barro, talhada pelos dedos e mãos das paneleiras de Goiabeira.
Sou da terra do senhor dos colibris, Augusto Ruschi, e do senhor das orquídeas, Roberto Kautsky.
Sou da terra de Rainor Grecco, o “assassino de árvores”, que fechou por três noites e três dias o Moulin Rouge, a custa do dinheiro fácil do jacarandá.
Sou da terra dos contadores de histórias Carlinhos de Oliveira, Tatagiba e Renato Pacheco.
Sou terra de Raul Sampaio e do violão virtuoso de Maurício de Oliveira.
Sou da terra dos folcloristas Hermógenes e Guilherme Santos Neves.
Sou da terra do Ticumbi de São Mateus e Conceição da Barra, do Congo da banda Amores da Lua, da folia de Reis de Muqui, do Caxambu de Cachoeiro de Itapemirim e das concertinas dos italianos/alemães/pomeranos.
Sou da terra do bombom Serenata.
Sou da terra do café Conilon.
Sou da terra em que se viaja ora olhando o mar, ora olhando a serra do mar, ir à praia ao dia e dormir a noite na montanha. No inverno, acendo a lareira.
Sou da terra da Pedra Azul, da Pedra do Elefante, do Frade e da Freira, do Penedo, do Pico do Itabira, do Caparaó, do Monte Agá, do Mestre Alvaro e de tantos outros relevos que embelezam nossa paisagem.
Sou da terra das cachoeiras da Fumaça, Matilde e Véu de Noiva.
Sou da terra onde a elite pesca o marlin azul e o pescador artesanal o peroá, indispensável num boteco à beira mar.
Sou da terra do ex-senador Dirceu Cardoso, honra política.
Sou da terra escolhida por Anchieta pra escrever o poema da Virgem Maria, do Convento da Penha e do teatro Carlos Gomes.
Sou capixaba. Nem grande e nem pequeno.
Sou do caldeirão das raças.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Elos


O sitio seculodiario.com, de 20/05/10, deu pista pra o repentino caso da deputada estadual, Aparecida Denadai (PDT), com a prefeitura de Presidente Kennedy, paraíso da farra dos royalties.
A parlamentar é a que se deslumbrou com o breganejo Leonardo, que conheceu em Vitória, voando juntos depois pra Cachoeiro de Itapemirim, de onde seguiram em carro pra um show em Jaqueira, comunidade de 100 casas aproximadamente, pago com o dinheiro dos royalties do petróleo que cai do céu em Kennedy.
A nota:

" Ligações perigosas

Há muito mais por trás das gastanças do prefeito de Presidente Kennedy (extremo sul do Estado), Reginaldo Quinta (PTB). No contrato para manutenção de automóveis, por nada menos do que R$ 81,6 mil por ano para manter cada um dos 64 veículos próprios, chama atenção o nome do sócio/proprietário da empresa que papou a bolada, a Impacto Máquinas, Equipamentos e Serviços Ltda. Trata-se de Aldo Martins Prudêncio, que vem a ser o irmão da chefe de gabinete da deputada estadual Aparecida Denadai, Luciane Prudêncio, e também do prefeito de Santa Leopoldina (região serrana), Ronaldo Prudêncio (PDT). Devido a relações estreitas com os dois prefeitos, não resta dúvidas de que, na jogada de Kennedy, há as impressões digitais da deputada. No esquema político de Aparecida sempre figuraram membros da família Prudêncio, ocupando cargos em seu gabinete logo que ela assumiu o mandato na Assembleia Legislativa. A eleição dela se apóia no grupo do ex-prefeito assassinado Aldo Prudêncio, uma das figuras mais populares de Cariacica. Originariamente com base eleitoral somente no município, Aparecida ampliou seu campo para os dois outros municípios. As coincidências não são à toa. Ainda mais em tempo de se fazer caixa de eleição."

http://www.seculodiario.com.br/exibir_socioeconomicas_a.asp?id=547


terça-feira, 18 de maio de 2010

Querendo entender


A Gazeta, de Vitória, que circula no Estado, tem a "pauta do leitor" como canal de "interação" com nóis, aqui, do outro lado do balcão.
Há um ano e meio iniciei a renovação da carteira de habilitação. A clinica da aldeia me encaminhou a junta médica do Detran, em Vitória, onde me enquadraram pra usar veículo com "embreagem manual ou automática ou com transmissão automática".
Na primeira ida ao local senti o descaso com a acomodação dos usuários desse serviço.
Em abril último fiz a prova de trânsito e vi que o local tava ainda mais caidaço.
Apostei na "pauta do leitor" pra cutucar os caras na tentativa de melhorar o espaço, já que todos os portadores de deficiência do Espírito Santo, que precisam do serviço, obrigatoriamente passam lá.
Segunda, 17, encaminhei este e-mail ao jornal:
O local (?) que o Detran disponibiliza pra atender os
portadores de deficiência, nos fundos do prédio
na av. Vitória, altura da antiga loja Bandeirante, é de doer/constranger.
Começa pelo acesso - a rua não tem uma vaga sinalizada.
O "local de espera" é no tempo, sujeito a sol/calor/chuvas.
Os "assentos" são uma tragédia.
Não tô pedindo luxo, mas respeito.
Gostaria q vcs avaliassem.

Ao ler a edição do jornal desta terça, a surpresa:


Pessoa com deficiência critica atendimento no Detran

18/05/2010 - 00h00 (Outros - A Gazeta)

O local destinado para os deficientes físicos que procuram serviços do Detran na Coordenação de Exame Médico e Psicotécnico (CEMP) – no bairro Horto, em Vitória – virou motivo de reclamação. Segundo pessoas com deficiência, o espaço fica nos fundos do prédio, e a situação em que se encontra deixa-os em situação constrangedora.

Essa é a opinião de Carlos Fernando Lima. Segundo ele, o problema começa já no acesso ao espaço. “A rua não tem uma vaga sinalizada. O ‘local de espera’ é no tempo, sujeito a sol, calor e chuvas”, frisa.

Segundo ele, os “assentos” são uma “tragédia”. “Não estamos pedindo luxo. Apenas queremos um pouco mais de respeito”, desabafa.

O Departamento Estadual de Trânsito (Detran-ES) informou, por meio de nota, que a Coordenação de Exame Médico e Psicotécnico, localizada na Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Vitória, possui estacionamento próprio com vaga exclusiva para portadores de deficiência física.

De acordo com a nota, a coordenação possui uma sala específica, e o atendimento é realizado no interior do prédio. Já a espera ao atendimento se dá em uma área coberta adjacente.

Esperava o tratamento dado a outras sugestões dos leitores, pelo menos indo ao local pra checar, o que leva crer que não aconteceu.
Fui atrás de dignidade.
Mantenho minha opinião sobre o local. A área de estacionamento existe, mas é exclusiva dos funcionários.
Eu tentei e não estacionei.

sábado, 1 de maio de 2010

Pára tudo


A política é mesmo coisa do homem.
Os "entendidos" afirmam que o eleitor vota 'pra mudar ou continuar".
A eleição pra prefeito de 2008, na aldeia, foi decidida nos últimos dez dias da campanha, uma vitória do desafiante, não chegando a 400 votos de diferença, contra o prefeito de plantão, na disputa pela reeleição.
Foi um espanto, levando também de rodão as pesquisas que davam favoritismo ao postulante a reeleição.
Passados os primeiros cem dias da posse, tolerância dada aos ungidos pelas urnas, pipocou os primeiros muxoxos contra a autoridade.
Hoje, perto de completar um ano e meio de mandato, a falação é geral.
O mote é um tal de "bota aí um pára tudo", surgido nos botecos pra pedir um destilado, e agora generalizou por todos os lugares, de lares a igrejas, "bocas" a bocas, de 10 a 100 anos.
A deferência, comenta o povo, caiu bem porque, além da paralisia administrativa, ele sorve bem a água, que não é benta.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

terça-feira, 20 de abril de 2010

Os "alemão" avançam


É preciso certo cuidado com o que fala alguns políticos, principalmente se for Theodorico Ferraço, deputado estadual do pefelê/demo capixaba.
Num intervalo comercial da novela das oito da TV Gazeta Sul, braço da "plim plim" aqui, segunda-feira, o deputado trombeteou a "compra, pela Vale, de mil hectares de terras em Itapemirim pra instalação de uma siderúrgica, que vai gerar 10 mil empregos'.
A compra e o tamanho da área "eu agarântio", o que eleva o valor da transação pra mais de $ 50 milhões, diferente do postado abaixo.
Já a siderúrgica fica por conta do sonho do deputado.
A Vale até agora fala em Ubu, Anchieta.
Aliás, a prefeita de Itapemirim, Norma Ayub, é mulher do parlamentar, que é também o pai do atual vice-governador e candidato do PMDB a governador em outubro próximo.

domingo, 18 de abril de 2010

Os "alemão" chegaram


Pode ser tudo ou nada ao mesmo tempo.
A Vale do Rio Doce fincou um pé nos arredores da aldeia. Ainda não tá claro o que essa "cabeça de ponte" do mamute trás embrulhado no seu "plano estratégico", eufemismo de executivos, pra nós. Mas, de certa forma, a notícia vai avivar conversas de todas matizes nos aldeões. Uns vèem nela a "redenção" econômica local. Outros não tão nem aí. E alguns mais trombetearão o caos. Assim é a vida.
A Vale comprou da Usina Paineiras uma área de terra de cerca de 300 hectares, pagando perto de $ 18 milhões, algo em torno de $ 300 mil por alqueire. É uma pequena fortuna, uma supervalorização no preço do alqueire, cotado a $ 50 mil, em média, na região. A área fica em Itapemirim, próxima a Itaipava/Itaoca.
A compra, que andou sob a égide do "sigilo comercial", agora liberada após o pagamento da primeira parcela, ganha ares de mistérios. Primeiro é que fica a uns 50 km de onde apontam para a implantação da Companhia Siderúrgica de Ubu, em Anchieta, uma planta industrial da Vale, investimento de $ 9,9 bilhões na produção de cinco milhões ton/ano de placas de aço, em 2014. A outra é que o local tem só areia e terra. Tudo bem. São materiais pra construção civil que, acho eu, não justificaria nababesco investimento.
Um próximo também foi procurado graças a uma pedreira existente no seu sítio, que fica perto da área vendida.
Os caras chegaram com a seguinte proposta: - Bota preço.
É de transcender.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

O pão da Paula


Há seis anos iniciamos um processo de reeducação alimentar. Nada de extremismo, radicalismos, direitismos ou esquerdismos, baseado no bom senso, custos e ofertas.
A carne vermelha continua, sem o excesso de gordura. A rabada, por exemplo, quando fazemos, é cozida de véspera e vai pra geladeira pra separar a gordura. Usamos pouco do caldo, ora feita com agrião ou com mandioca e banana da terra madura.
O arroz e feijão continuam soberanos.
Reduzimos o uso do sal - 1 kg dá pra três meses - e também o óleo - 1 litro pra dois meses. Usamos bastante alho, 1,2 kg/mês.
Trocamos a fritura por assado e o refrigerante por água.
Em viagem, nada de salgados. Levamos frutas pra merenda.
Duas evidências ficaram claras: É preciso interação de propósitos dos envolvidos e evitar levar pra casa aquilo que não é essencial.
Os resultados são animadores.
Na reeducação, optamos por um pão caseiro integral, conseguido após várias fornadas, que é uma regra básica em cozinha.

PÃO INTEGRAL

Ingredientes 01

½ copo de óleo de girassol (ou similar)

01 copo e ½ de trigo integral

02 copos de trigo branco

01 pct. de fermento granulado e/ou 1 ½ colher de sopa de fermento de caixa

03 colheres (sopa) de açúcar mascavo

01 colher (sobremesa) de sal

01 copo de leite e um de água (mornos)

Ingredientes 02

0l colher (sopa) de linhaça

01 colher (sopa) aveia

01 colher (sopa) gergelim

02 castanhas do Pará quebradas em pedacinhos sem deixar virar farelo

Use outros grãos como semente de girassol. Você é o chef.

MODO DE FAZER

Etapa 0l

Bata todos os Ingredientes 01 numa batedeira. Coloque pra crescer, por cerca de uma hora.

Etapa 02

Acrescentar os Ingredientes 02. Mexer com uma colher de pau até a massa pegar consistência de uma “bola”. Coloque a massa na forma de pão previamente untada pra crescer, podendo levar de 20 a 30 minutos. Pra acompanhar, ponha um pouco da massa num copo d’água e deixa boiar.

Com o forno pré-aquecido, coloque para assar, na temperatura média, de 30 a 40 minutos, respeitando as condições do seu forno.

Importante: A temperatura pode ser uma aliada ou não. Com calor, a massa, nos dois processos, cresce mais rapidamente, No frio é o contrário. Nós envolvemos numa toalha, mesmo no calor. Na forma, coloque uma tampa. Deve ser consumido em três dias. Vale a tentativa.

domingo, 11 de abril de 2010

Novo ralo da farra


O Ximenes, o da coluna Victor Hugo, A Gazeta/Vitória, abre o expediente na edição de hoje. 11/4, comentando a gastança da prefeitura da Serra com futebol. A seguir revela outro ralo em Presidente Kennedy, agora com futebol de areia, bancando um time que disputa o estadual.
Aliás, esporte é a sua editoria.

Dinheiro rola com a bola
D inheiro, ou a falta dele, parece não ser problema para algumas prefeituras. A da Serra, por exemplo, deu de presente R$ 477 mil para o tricolor da cidade participar do Campeonato Capixaba deste ano. Mesmo com essa grana no bolso, o time está longe dos primeiros lugares no Capixabão, que tem 10 equipes.
Grana fácil
E o caso de Presidente Kennedy, município ameaçado de perder grande parte da sua receita se mudar a lei de distribuição dos royalties do petróleo? A prefeitura está gastando R$ 60 mil na seleção da cidade que disputa o Estadual de Futebol de Areia deste ano. Três jogadores portugueses, incluindo o craque Madjer, fazem parte da equipe do Sul do Estado.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Mais farra


O "chapaço" Dino, no seu recomendável Blogracio, escreveu: "Leonel, o problema, ou probrema, pobrema ou poblema, mais que o Ibsen, é uma cidade "como Kennedy", onde "dinheiro não é problema" graças aos "royalties de petróleo", apresentar um dos piores Indices de Desenvolvimento Humano do Espírito Santo e do Brasil."
É sobre a nota publicada na coluna Victor Hugo, A Gazeta/ES, de 7/04/10, onde o interino mistura gastança com Ibsen Pinheiro, aquele.
Parece que o hidrocarboneto não anda fazendo bem ao Ximenes, liberando certos derivados com excesso de STP.
Aqui o post do Blogracio.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Fubá de moinho de pedra


A velocidade com que se processam as mudanças nos costume da sociedade fazem vítimas que são largadas às margens dos tempos atuais.
Aqui na aldeia tem um abatedouro de frango que também vendia pacotes de 1 kg de fubá de milho moído em moinho de pedra movido a água. Nada mais sugestivo pra se fazer um frango com quiabo, acompanhado de uma boa polenta/angu - usamos panelas de barro -, pra um almoço trivial.
Hoje ao entregar um pedido - delivery é o cacete! - indaguei pelo fubá, agora que a colheita do milho terminou, quando se tem a chance de um produto novinho. Ele respondeu que o cunhado, responsável pelo moinho, não planta mais o cereal. Agora e só café. É mais um que passa a comprar no mercado. Assim caminha a humanidade, disse alguém.
Este comportamento observei há cinco anos ao retornar no moinho do "padrinho" Artur Bornella, lá no "Jerominho", de Jerônimo Monteiro/ES, onde na infância ia troquei muito milho por fubá, encontrado com fartura.
Agora é preciso levar o milho e voltar depois pra pegar o fubá.
Nem o adágio "enquanto você vai com o milho eu já voltei com o fubá" resistiu aos tempos atuais.
A civilização começou a triturar grãos em moinhos de pedra manuais, passado depois para os movidos a animais. O estágio seguinte foi a água, vento e vapor, chegando à eletricidade.
Em moinhos de pedra, a moagem ocorre pela alta fricção entre os grãos aliada a pouca pressão, danificando uma parcela menor do amido. O resultado é uma melhor fermentação graças a preservação do farelo e do gérmen numa farinha rica em nutrientes e fibras.
Em Nova Venécia, norte capixaba, descobri uma "nona", família Lubiana, que tem em casa um moinho de pedra movido a eletricidade. Provei da sua polenta, excelente, sendo premiado também com uma generosa porção do seu fubá.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Olha o Ximenes!


Nenhuma sandice com o Leonel Ximenes, da coluna Victor Hugo, A Gazeta/Vitória, sobre a farra dos royalties do alcaide de Presidente Kennedy, com cerca de 11 mil habitantes, que em pouco mais de 20 dias realiza duas festas com artistas de expressão nacional.
A nota abaixo tá na sua coluna de hoje, 7/4.

Olha o Ibsen!
Presidente Kennedy começa a comemorar hoje seu 46º aniversário de emancipação política. A festança, que vai até domingo, terá o breganejo Amado Batista como destaque entre outras atrações musicais. Dinheiro não é problema para a cidade do Sul do Estado que recebe anualmente R$ 73 milhões de royalties de petróleo. O problema é o deputado gaúcho Ibsen Pinheiro, que quer redistribuir o dinheiro dos municípios produtores de petróleo e deixar cidades como Kennedy a ver navios.

domingo, 4 de abril de 2010

A farra continua


Em 15 de março último registrei "A farra dos royalties" da prefeitura de Presidente Kennedy, litoral sul capixaba, que recebe anualmente perto de R$ 100 milhões do tributo e tem um dos menores IDH do Estado, ao bancar o show do Leonardo na Expoagro de Jaqueira, local de pouco mais de 100 casas.
Li depois na coluna Victor Hugo, A Gazeta/Vitória, nota do Leonel Ximenes "informando" o deslumbre da deputada Estadual Aparecida Denadai (PDT), xodó do prefeito, com o cantor que conheceu na Ilha do Boi, Vitória, voando juntos depois pra Cachoeiro do Itapemirim, de onde pegaram um carro pra chegar ao show.
Mandei um e-mail ao Ximenes sugerindo que registrasse também o outro lado da informação. Acho que não gostou ou o deslumbre da parlamentar era a notícia.
Deixa pra lá. Temos a internet.
Pois não é que o alcaide anuncia pra 7 a 11 próximos o 46º aniversário da cidade, "investindo 500 mil em atrações durante o dia e shows à noite", de Amado Batista a Calcinha Preta. O jornal do Ximenes anuncia "expectativa de 100 mil pessoas". A população local não chega a 11 mil habitantes.
Grandeza e perdulário andam lado-a-lado.
E os royalties? Esqueçam.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Comilança


Do Irmo, companheiro dos primeiros passos no jornalismo, idos de 1974/75, na "Bolívia" da rua General Osório/Vitória, "homenagem" aos freqüentes "golpes" na direção da redação de A Gazeta/ES, contando as peripécias do Padre Anchieta pra se alimentar em terras brasilis. O texto se baseia em cartas escritas pelo beato, em 1560, pesquisada pelo Professor Gabriel Bittencourt.
Anchieta rasga elogios ao peixe-boi marinho, jacarés, antas e quase pira pelas tanajuras. Faz muxoxo para caranguejos, siris e macacos.
Não se assuste com o politicamente correto ou cardápio indigesto pra semana santa. O autor faz as ressalvas pertinentes.
Aqui o texto completo.

sábado, 27 de março de 2010

Sou do tempo do jacá



-Hoje tá tudo muito moderno, mas não deixo meu jacá e minha égua por nada nesse mundo.
Pode parecer prosaico. Não é. É o "seu" Zezinho, um típico maratimba professando do alto dos seus quase 50 anos a sua opção de vida, vender aos moradores e veranistas da aldeia, abacaxi, manga, aipim, transportados em jacás dependurados no lombo de uma égua. Valente, a égua é ainda o seu meio de transporte.
"Seu" Zezinho é um dos bravos a se contrapor ao "tempo é dinheiro".
As "motos hortifruti" são figurinhas fáceis por aqui. Algumas se parecem com um "mercadinho ambulante", dependendo da criatividade e do capital do dono, levando na garupa de verduras a frutas, direto do Ceasa. Indagados, negam, "garantindo" que é produção própria.
A do "seu" Zezinho é orgânica. Se tiver resíduo tóxico é da pulverização aérea nos canaviais da Usina Paineiras.
Um viva ao "seu" Zezinho!
Foto site maratimba.

quinta-feira, 25 de março de 2010

A turma do Evanil


Eu sou da turma do Evanil
Ele da carne
Eu não volto pro canil

Açougue Boi-nos-aires, do Evanil e do Gilmar formam os points dos vira latas da aldeia. Lá fazem vigília à espera que voe por uma porta um pedaço de pelanca ou mesmo um osso com uma nesga de carne que tenha escapado da sanha da faca do açougueiro. Não é normal porque açougueiro tem zelo por uma boa afiação. Quando acontece é recompensa de dias e horas, sob sol e chuva, um banquete burguês, ficção em casa - vira lata tem dono e casa, gente -, onde impera osso puro, mesmo.
A marcação vem de cedo, junto com a carga que chega em carrocerias de camionetes, direto do "matadouro pasto". Já foi pior. Antes de umas investidas da fiscalização, a coisa era generalizada, incluindo supermercados, inclusive com a carne pendurada "tal qual roupa no varal", de frente pra rodovia/avenida, que corta a aldeia.
A "turma do Evanil" é a maior, de dez a doze, talvez por sua solidariedade a espécie, que abunda aqui. Sem exagero: algo como 2/3 dos nativos.
Agora a turma montou praça em frente à nossa casa, com direito a constantes desentendimentos, latidos pra tudo que se movimenta e, claro, uivo, de um que tá esperando a morte certa.
Aliás, se conselho valer não compre ou alugue um imóvel de esquina.
É como remanso de rio.

terça-feira, 23 de março de 2010

A viagem que não fiz


"Jerominho", de Jerônimo Monteiro, nascido Vala do Souza e depois Sabino Pessoa, fica no Sul Capixaba. Lá estão enterrados no centro de um extinto curral, crença do ajudante Dominguinhos, abonado pelos pais, os restos do meu umbigo, de parto de parteira, pra dar "sorte" e ser um "fazendeiro de terras e gado".
Por lá por anos passou a Estrada de Ferro Leopoldina, partindo de Cachoeiro de Itapemirim/ES rumo a Carangola/MG, contato nosso com o restante do planeta.
Não foi musicada mas, também, ligava "Minas ao porto, ao mar", como Ponta de Areia/Milton Nascimento, "caminho de ferro/que mandaram arrancar", mesmo destino dado a ela.
A sua fundação é de 1912. A última viagem foi em 1967. A retirada dos trilhos data de 1971, provavelmente para sucata, matando a possibilidade de um circuito pra turismo.
Sobraram às estações descaracterizadas e os túneis, provas incontestes da sua existência.
E, claro, a história oral, como esta.
Durante a sua construção, os moradores da Parada Cristal, bairro de "Jerominho", revoltados, exigiram também uma estação. À época a distância era uma eternidade. Hoje, um pulo. Cederam e a cidade ostenta a primazia de ter duas estações no seu perímetro urbano.
Por seus trilhos/vagões, desci e conheci a "metrópoles" Cachoeiro, um trecho plano, veloz e de maior duração da viagem, onde estão as estações da Parada Cristal, Pacotuba e Coutinho, as duas últimas em terras cachoeirenses. Após Pacotuba, o trem corria às margens do rio Itapemirim, tempo de apreciar o grande volume d'água límpida em seu leito, contrastando com hoje, retrato da estupidez humana.
Em sentido inverso, subi e fui "nu" Alegre" conhecer a cidade jardim do meu "chapaço" - licença Dino -, Macarrão Carias, nas barbas do Caparaó. Viagem que incluía o trem serpenteando uma serra e a passagem por dois túneis.
É reminiscências dos cinco anos de vida, a primeira volta ao mundo além das fronteiras do alto da Jacutinga.
Não fui ao Rio de Janeiro "ver o escrete brasileiro jogar" pelos trilhos da Leopoldina. Não me convidaram pra festa, embora acompanhasse avidamente, com cara de "pidão", os preparativos que aconteciam na casa da Tia Mariquinha. Dos tecidos pra roupas novas, ao sapato e a matula, frango assado com farofa, bolo, biscoito e suco, sustento pra comer na noite interminável rumo à cidade maravilhosa.
Partiam e ficava a expectativa da volta, trazendo uma lembrancinha, e da próxima viagem pra ser o escolhido da vez.
Não aconteceu.
Arrancaram o caminho de ferro e a viagem veio nas rodas do ônibus.

sábado, 20 de março de 2010

Eu tenho siringomielia XII


Um tombo pra não esquecer

Acho que ainda tava inebriado pelo baticum da folia de outros tempos.
Rodopiei qual um mestre sala. Cadê a mão da porta-bandeira, Paula, pra segurar a euforia desta festa profana que insistia em aboletar-se de mim?
Desesperadamente, tentei segurar na cômoda. Foi inútil.
Restou desviar de uma cadeira de diretor e da porta, direcionando o corpo pra um espaço livre do chão. Como? Não sei. Talvez o instinto da preservação.
Resultado: -Tá lá um corpo estendido no chão, diria o locutor esportivo.
A mim restou: -Ai, ai, ai........ Socorro.
Agora é até engraçado e dá pra fazer troça com o episódio, nada mais humano.
Vade retro!
Passado o susto é hora de contabilizar o infame tombo. Aparentemente verifiquei que não quebrei nenhum membro, só que ele tinha sido diferente dos outros, uns quatro já contabilizados na caderneta. Canalizei o peso da queda pra cima da perna esquerda, a prejudicada pela guerra da siringomielia, sentindo um incomodo ao passar a mão sobre o fêmur.
Fizemos uma tentativa de levantar, tarefa que só foi possível com a ajuda de uma vizinha. Me colocaram sentado na cadeira, recuperei do susto, recobrei o autocontrole, e com o andador, caminhei até a cama.
Clareando: Na quarta pós carnaval, após o café da manhã, fui trocar o andador pelas bengalas canadenses, mais adequadas pra o acesso à piscina, e fazer a hidroterapia, rotina de três vezes na semana. Acho que juntou autoconfiança e imprudência. Vinha de uma excelente seqüência de exercícios, umas sete semanas sem faltas, que me proporcionou um bem estar há tempo não experimentado. Passei por um perrengue de uns sete meses sem a hidro. Na aldeia não tem piscina coberta e aquecida. Tô a mercê do humor do tempo. A seqüência nos exercícios dita os resultados.
A retomada noutra piscina, mais preparada, trouxe de volta meu otimismo, confesso, que às vezes se excede.
A imprudência foi ter colocado as bengalas num local inadequado da casa, embora das outras vezes tenha feito a operação sem o fatídico acidente doméstico. (Observou que agora uso andador, Leda Maria? Ele já me acompanha desde a cirurgia da hérnia na cervical, feita no Sarah, em outubro de 2008. É mais seguro e melhora minha mobilidade. A Leda é das amigas/amigos que acompanham a "evolução" da minha "mimi".).
Passado 24h, radiografei o local, mostrando uma fissura no fêmur. O ortopedista recomendou 30 dias de repouso. Há 12 dias experimento uma melhora sensível, confirmada na quinta 18/3, após novo raio-X. Agora são outros 45 dias em observação pra consolidar a fissura. Já voltei para o andador, projetando pra breve retomar a caminhada.
Não há que lamentar ou jactar-se.
A realidade é que a siringomielia vai minando o equilíbrio de um andante. Os exercícios - hidro e caminhada - têm garantido uma independência vital. Isto ficou evidente mais uma vez após o tombo.
Agora é procurar evitar outra bobeira, coisa que infelizmente tem hora que foge do controle.
Não desisti!

quarta-feira, 17 de março de 2010

Rasteira política


Paira no ar certo enfado por conta do imbróglio da partilha dos royalties do pré-sal.
Quanta hipocrisia!!!! O cidadão minimamente informado sabe bem do que são capazes deputados federais e senadores. Lá tá o espectro da nossa sociedade.
Não é poeta Luiz Trevisan?
Passei pela Câmara, de 1995 a 98. O episódio que conto a seguir, respeitando suas peculiaridades, é uma pequena mostra daquilo que acontece ali.
Pesquei na correspondência do gabinete um jornal noticiando a tramitação de um Projeto de Lei - PL-, vindo do Senado, da senadora Junia Marise (MG), propondo a inclusão dos municípios mineiros do Vale do Jequitinhonha na Sudene.
A Sudene, agora jurassíca, à época era o pré-sal atual, e se destinava apenas aos Estados nordestinos pra "atrair investimentos" .
Todos queriam entrar pra debaixo das suas asas. Inclusive, nós. A base política do meu assessorado, ex-deputado Federal Adelson Salvador, é o Norte capixaba.
O achado deu gás a um mandato meio a deriva.
Preparamos o PL, relacionando 28 municípios acima do Rio Doce e utilizando dados econômicos do IPEA e pluviométrico do INPE, pra mostrar identidade da região com o Nordeste brasileiro.
O deputado fez seu discurso de praxe e protocolou o Projeto. A repercussão foi emediata na bancada e no Estado.
Três dias depois, entretanto, o PL bate à porta do gabinete com crivo: Inconstitucional.
Como? O da Junia pode e o do Adelson, não?
Ele foi ao encontro do então presidente da Casa, coincidência ou não, Michel Temer (PMDB-SP), que pegou a caneta, colocando o PL pra tramitar.
A iniciativa ganhou ares de redenção para a região e, claro, junto vieram os bicões, criando até uma espécie de árvore genealógica, tipo assim: Decavó, Tataravô, irmão, amante, pai, enfim, qualquer coisa que valha pra surfar nos louros do PL.
A mais bizarra veio da deputada Rita Camata (PSDB). Ela distribuiu aos vereadores da região, cópia do seu PL, embaralhando a relação dos municípios - o original estava em ordem alfabética -, e invertendo os parágrafos da justificativa.
A bola de neve cresceu..
Levamos a Nova Venécia, terra do Adelson, o Michel Temer. Sensibilizado, discursou pra mais de 250 líderes ali reunidos, garantindo a aprovação do Projeto.
Cumpriu sua palavra.
Não com o PL do Adelson, e sim com um artifício regimental, Emenda de Plenário, da Rita, assinada pelas lideranças partidárias. O desfecho foi na sessão que aprovou o PL da Junia Marise e que rejeitou emendas para o Norte fluminense e o Vale da Ribeira, SP.
Aí experimentei a temida "rasteira política" e entendi que pra não figurar no "baixo clero" é preciso articulação política, preparo e conhecimento do Regimento Interno.
E, claro, ter percepção do humor da Câmara, termômetro da sua temperatura política. Se tiver clima, passa tudo. É como abrir a porteira de um curral cheio.
A Sudene nasceu por Decreto Lei, o que, teoricamente, impediria de ser emendada por uma iniciativa do Legislativo.
O nhenhenhém do pré-sal, portanto, é um jogo.
E, político, cabra, não tem gratidão.
O que o zumbi Ibsen Pinheiros (PMDB/RS) fez com sua emenda "bode na sala", prometendo depenar Rio de Janeiro e Espírito Santo, na distribuição dos royalties do pré-sal, é do jogo.
Jogo que fica eletrizante às véspera das eleições.
Que venha o próximo lance.

segunda-feira, 15 de março de 2010

A farra dos royalties


Presidente Kennedy fica no litoral sul capixaba, divisa com o Rio de Janeiro.
Com pouco mais de nove mil habitantes e um dos menores Índices de Desenvolvimento Humano do Estado -IDH-, vive uma vida nababesca por conta dos royalties do petróleo, ouro negro finito que abunda no seu mar territorial, despejando nos cofres da prefeitura local perto de $ 100 milhões/ano.
Nada desprezível.
No verão passado foi quem mais gastou com "atrações" para o Povo Sem Praia, o PSP.
A poeira nem baixou e a festa não pode parar.
De 17 a 21 próximos, Jaqueira, comunidade local de pouco mais de 70 casas, recebe Leonardo, aquele, e outras malas.
A justificativa? 25ª Expoagro de Jaqueira.
Vai lá.
Aqui a "programação", coisa de quem pode rasgar din din.
O post nem raspa na emenda "bode na sala", Ibsen Pinheiro (PMDB/RS), da guerra santa dos royalties do pré-sal, promessa de depenar o Espírito Santo e Rio de Janeiro.
Curiosidade: Qual é a de São Paulo neste babado?

sexta-feira, 12 de março de 2010

Poeminha com metais leves e fuliginosos


Por Millôr

A palavra é de ouro
O silêncio é de prata
A burrice é de chumbo
Canalhice é de lata.

Aqui outras mais dele.

quarta-feira, 10 de março de 2010

A bunda da Lucinda


De relance, não acreditei. Acordar é ver ali, a menos de dois metros ao alcance dos meus olhos, algo tão parelho como aquela manhã de domingo?
Uma miragem? É o que veio de imediato.
Dei meia volta pra conferi aquela cena-espetáculo matinal.
- Oh céus, é real.
Tomei rumo do banheiro. Não, a intenção não era consumir tal volúpia num ato do prazer individual. Ao contrário. Era preciso recobrar os sentidos, abrindo bem os olhos pra aquele inusitado.
Joguei a água pelo rosto pra despertar os sentidos.
Mirei fixamente a minha imagem no espelho.
Não tive dúvidas: era eu, vivinho e pronto pra uma nova contemplação.
A distância do banheiro pra sala, local da cena-espetáculo, era pequena.
Deslizei suavemente, despido d'alma, pra não despertar suspeita na expiação.
Entre almofadas esparramadas sobre um colchão no chão, dormia um corpo feminino da cor de canela, em posição meio fetal. Vestia uma pequena blusa e uma calcinha asa-delta branca, cobrindo duas amêndoas, voltadas na direção dos meus olhos contemplativos, que não podem ser doados. Será alimento da terra.
Sai pra caminhar na praia. Afinal, natureza é natureza.
Retornei e cena-espetáculo era uma lembrança na memória.
O Walmir Fiorotti, com quem tinha uma casa alugada em Manguinhos/Serra/ES, deu um pouso pra Eliza Lucinda. Foi nos idos da década de oitenta, ela, ainda estrela local e nós caçadores dessas almas femininas.

sábado, 6 de março de 2010

Os números murcharam


O mês de janeiro acabou - e quando é possível ainda ver na primeira quinzena uma razoável aglomeração de veranistas de costas para o Brasil - e as águas de março chegaram como há muito não acontecia, indicando que ficará 40 dias e 40 noites, vou comemorar um feito: Após abrir a temporada com a mesma cantilena, tipo "um milhão de turistas nas praias do sul capixaba" ou "Marataízes espera 450 mil turista", o maior conglomerado da mídia capixaba, Rede Gazeta, passou o restante da temporada calado.
Também já era tempo, mesmo porque tem uma pesquisa interna que fala em 700 mil turistas pra todo o Estado. Embora ainda considere um número alto, vai lá, passa.
Turistas? Também faço ressalvas, optando por veranistas.
O que não dá é ver uma aglomeração de mil ou duas mil pessoas, enfiar o pé e chutar pra 50 ou 100 mil, tascando esse absurdo goela abaixo de leitores, ouvintes e telespectadores.
Marataízes tem cerca de 32 mil habitantes fixos.
E daí?
Respondo: A infraestrutura local atende parcamente seus moradores.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Lampejo nas calendas da justiça capixaba


Há cerca de dois anos a justiça capixaba vem tomando uns safanões que estão colocando partes das suas vísceras a público - Operação Naufrágio. As revelações não são novidades, apenas ganham agora o crivo oficial.
O Juiz Robson Louzada Lopes escreveu na página de Opinião, de A Gazeta/Vitória, de 27/02/10, o seu incomodo com o sabor do tempero do caldo das extrepolias da banda bandida servido ao distinto público. Abre o texto se identificando, dizendo onde atua e destacando a "existência de duas personalidades distintas no Poder Judiciário nacional, quais sejam, os juízes do paço e os juízes republicanos".
E sentencia: "Os primeiros perpetuam a maldição colonial brasileira que inaugurou o péssimo hábito da prestança entre seus membros e a elite podre deste país, o que resulta até hoje em nepotismo, corrupção, venda de sentenças, atos contrários ao povo etc., sendo que em sentido diametralmente inverso, os segundos são originados de verdadeira aprovação em concurso público, trazendo consigo a formação republicana, ética, democrática e idealista, sendo que em razão de sua jovialidade intelectual são destinados a enfrentar os aliados do paço, ainda que isso lhes custe por vezes a própria vida".
Não tenho motivos pra crer na tal celeridade da justiça. Talvez na próxima passagem aqui mude de opinião. Serão necessárias décadas pra que a balança e olhos vedados tenham o equilíbrio que buscam transmitir.
Os lampejos, portanto, que surgem vez em quando, somem nas calendas da estrutura deste poder.
Aqui o "Desabafo de um juiz", um cicio diante da maioria silenciosa.
"Nunca houve uma idade de ouro para a justiça", escreve José Saramago.
Leia mais aqui.
Se o seu saco ainda não encheu aqui o conluio das "grandes famílias" que se aboletaram da "justiça capixaba" através de fraudes em concurso.
Argh!! Para que eu quero descer.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Senhor trovão, por enquanto


Pesquei o desejo oculto, a seguir, nas águas revoltas da entrevista do "Senhor Trovão" Paulo Hartung, governador do ES: "Enchente ou mão de gente. Enchente nós não estamos tendo, ao contrário, estamos precisando de chuva, então é......... ".
Pois é, Dino, - http://dodinogracio.blogspot.com/ -, ainda não aflorou o poder sobrenatural do "Senhor Trovão".
Por enquanto a chuva continua sendo regida pelos fenômenos naturais.
Ainda bem!!!!!!
Aqui a entrevista.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Eu tenho siringomielia XI


Nós penamos mais

Sei. Já saímos dos quartinhos dos fundos onde a hipocrisia humana "escondia seus defeituosos" explícitos, pois a regra é espécime com aparência robusta, bela e infalível.
To tendo o privilégio de transitar pelos dois lados.
Fui "andante' até os 38 anos, tempos que permitiram desafiar o limite humano. Depois, pego pela siringomielia, fique cambaleante, bengaleiro e agora empurro um andador. A próxima etapa é a cadeira de roda, onde já treino.
Nada que não se adapta desde que comicha na gente aquela vontade de tocar a tropa.
Do contrário, é uma derrota, diria colega meu.
Em julho de 2009, iniciei o processo para a compra de um carro zero bala, requerendo a isenção do IPI, na Receita Federal, que deveria ser liberado em até 120 dias. Acompanhei a tramitação pelo site, que sempre informava: Em andamento. Em janeiro último, seis meses depois, intrigado, fui checar: O documento ficou pronto e não remeteram como é de praxe.
O "esquecimento" foi providencial. É que surgiram opções de carros intermediários, equipados com câmbio automatizados, escolha que fiz, com preço mais em conta, dando pra continuar de pé e dormindo o sono tranquilo, longe dos pesadelos com dívidas.
A etapa seguinte foi requerer a isenção do ICMS na Secretaria Estadual da Fazenda. Pedi o colega Maurício pra protocolar a documentação. A Agência do órgão fica no centro de Cachoeiro de Itapemirim, sem estacionamento e com uma escadaria de botar medo em qualquer portador de deficiência.
Recusaram. Orientado, Maurício me ligou e passou o telefone pra falar com a funcionária, exigindo a Carteira de Motorista com a observação DEFICIENTE. Argumentei que o Decreto de Isenção do ICMS pede o Laudo do Detran ou a Carteira. Na falta da Carteira, o cabra tem até 180 dias de prazo pra apresentá-la.
Simples, não?
Maurício retornou. Destaquei as opções laudo ou carteira, explicitados no formulário de orientação, pra nova tentativa de protocolar. Escapou de ser jogado escadaria abaixo.
Voltei pra casa disposto a ir à guerra.
Liguei pra Secretaria, em Vitória, e falei com o Serviço de Orientação. O funcionário veio com a mesma bobagem. Argumentei que me obrigava a comprar um veiculo para adaptá-lo ou automatizado, sem os benefícios fiscais pra regularizar a carteira. Só assim teria direito a isenção do ICMS. Ou mudar o decreto, propus, acabar com a opção do laudo, beneficiando somente que já a carteira com a restrição deficiente.
Ufa! Entendeu.
Liguei e contei ao chefe da Agência da Secretaria sobre a batalha fratricida. Retornou depois orientando fazer um "novo requerimento". Transcrevi parte do laudo, destacando a obrigatoriedade do "veículo adaptado, câmbio automático ou automatizado", e "retornar pra prova de rua".
Fomos pra Cachoeiro, agora com a Paula, minha mulher. Lá chegando, o funcionário que recusou a documentação, comentou:
-Agora, sim.
Com mais sarcasmo, marcou pra daí a dois dias a liberação da isenção. Escaldado, pedi a um contador daqui pra retirá-la, que só ficou pronta dez dias depois.
Tá achando que acabou?
Namorei, via internet, o Voyage, da Volkswagen. Todo pomposo fui às compras. O primeiro susto veio com valor, três mil a mais, em relação ao preço do site. Foi um aperitivo ao que estava por vir. Pediram novos documentos, agora a isenção do ICMS de SP, novo laudo do DETRAN, e o absurdo do absurdo: meu EXTRATO BANCÁRIO.
Sei da necessidade de um instrumento legal que garanta o negócio.
Pra mim, a exigência EXTRATO BANCÁRIO soa como quebra de sigilo fiscal, eivada de preconceito da minha incapacidade de gerir a vida. Nem as receitas estadual e federal chegaram a tanto, pedindo tão somente comprovante de renda.
Deixei claro na negociação que o pagamento seria a vista.
Pedi a vendedora pra enviar por e-mail a relação dos documentos. Paralelamente, cotei com outra concessionária, de Vitória, que reafirmou preço e o EXTRATO BANCÁRIO.
OU SEJA: É UMA PRÁTICA NEFASTA DA VOLKSWAGEN.
É claro que desisti. Quando estava na concessionária Itacar, de Cachoeiro, reencontrei o vendedor com quem vinha conversando. Tinha ido lá acertar a sua rescisão contratual e que agora estava na Fiat. Fechei com ele, assinando um termo de compra e não exigiu novos documentos.
Sobre o ICMS, aceito, pois cada Estado é autônomo pra legislar sobre o tributo.
Já o EXTRATO BANCÁRIO.......... vade retro Wolkswagen!!!!
Em tempo: É lenda urbana que os descontos do IPI/ICMS pode chegar a 30% do valor do veiculo. No máximo 25%. Caso for financiar tem ainda o desconto do IOF, requerido junto com o IPI.
O carro é faturado na fábrica em nome do deficiente.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

A Dubai capixaba




Entra na reta final a obra da Dubai capixaba. A rapidez tem a ver com seu mentor, o Sheik Paulo Hartung, fã do adágio "o olho do dono é que engorda o boi". Foram três visitas públicas dele, desde o início da obra, em dezembro de 2009, até sexta, 12/02/10, a mais recente vistoria. É razoável não desprezar desta conta, os sobrevoos do seu helicóptero nas vindas pra estas bandas do Sul capixaba, cumprindo "agenda administrativa', eufemismo de campanha eleitoral.
Também mandou bem ao escolher o verão pra tocar a obra, pegando carona no povo que vem pra cá se refrescar no oceano e no ar marinho.
Não vi aplausos, embora fosse comum observar grupos de pessoas próximos da obra, certamente confabulando "opiniões técnicas" do achismo, esta nossa instigante mania de sabedoria.
Minha curiosidade mórbida é saber se foi na Praia Central que a Excelência salgou a bifa pela primeira vez na vida. Um dia desfaço o mistério e conto aqui.
Abrindo o jogo: Dubai capixaba foi chupada da coluna do Ancelmo Góis, do jornal O Globo, termo usado pra batizar a obra de recuperação da orla da Praia Central, de Marataízes, sul do Espírito Santo.
São cinco espigões de pedras, lembrando um anzol, construídos a intervalos de 500 metros, num trecho de 2 km de praia, completados por um aterro de 50 a 70 metros de extensão por 3 a 3,7 metros de altura, mar adentro.
A areia misturada a água e otras cositas más - conchas, pedaços de arrecifes, peixes, mariscos, etc, etc.... -, vem por uma tubulação ligada a uma draga no mar, despejando de 2 a 2,5 mil metros cúbicos por hora desta mistura, que é espalhada por tratores de esteiras e retroescavadeiras, fazendo a terraplenagem. A obra impressiona. O valor também: Aproximadamente $ 60 milhões.
Por ser um projeto complexo, envolvendo mar e suas correntes, é bom dar um tempo pra uma avaliação do benefício/impacto.
A expectativa maior é saber se toda a praia será recuperada pra banho. Na base do achismo, aventuro dizer que será mantida a enseada formada no primeiro espigão. O que é pouco pra expectativa local e também pelo investimento.
O restante é uma incógnita pela aposta que fazem na corrente marítima pra aterrar a maior parte da obra, que fica em mar aberto, diminuindo a profundidade, dando segurança de banho as pessoas.
Nas fotos da Paula, captadas pela máquina do "colega meu", os espigões com e sem aterro.
Clique pra ampliar.

Em tempo: A draga, de bandeira norueguesa, com cerca de 16 tripulantes e capacidade pra 400 toneladas de combustível - ela vai a Vitória pra reabastecer-, veio de Portugal, onde executava serviço idêntico, recuperando cerca de 5 km de orla na Costa da Caparica, próximo de Lisboa. Como se vê vão apertando o mar ao redor do mundo. E ele quer o seu de volta, dizia o velho pescador.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Afroxa, Maurício


-Afroxa um pouco, Mauricio. Muito peso, assim eu infarto.
Suplicou o uruguaio, Juan, fazendo a base da pirâmide de um ménage à trois com uma nativa de Porto Seguro, Bahia.
A princípio, o gringo relutou em participar do ménage, condição imposta pela nativa pra ficar com eles. Alegando questão de fórum íntimo, puxou o parceiro Maumau para o canto e sussurrou em seu ouvido:
- Eu tenho receio de brochar.
Maumau, à época um mundano movido a álcool, elemento capaz de quebrar qualquer timidez, não deixaria escapar tal oportunidade. Rápido, elaborou um plano alternativo. Propôs ao gringo dos três irem para o quarto. Lá ele ficaria tomando banho, deixando os dois bem à vontade.
Proposta feita, proposta aceita.
Já no quarto, Maumau seguiu o script, indo direto ao banho. Depois de um certo tempo, tomado pela curiosidade, foi incapaz de cumprir integralmente o acordo.
Saiu e deparou com a nativa cavalgando Juan, cena que instigou seus instintos e mexeu com a libido. Nas suas palavras: "a lua piscando ali na frente dos meus olhos".
-Vou nessa.
E foi, juntando-se à dupla.
Ao atingir o prazer, relaxou, tomado por aquela sensação que acontece a todos nós nestes instantes, desabando com a nativa sobre o gringo.
Sufocado, ele implorou:
- Afrouxa, Maurício.....
Terminada a brincadeira, rumaram pra Salvador, objetivo inicial da viagem ao sair de Vitória.
Porto Seguro foi um desvio de rota, como também não imaginavam encontrar tal aventura.
Maumau passa hoje longe da bebida, embora frequente locais onde ela impera, mas preservou humor pra contar suas peripécias de bad boy.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Libertaram os serradores


Uma alma bondosa propôs uma trégua para o castigo imposto aos serradores da pousada Cia do Mar, em Marataízes: Serrar somente ao dia, igual à rotina de qualquer trabalhador. A noite é pra descanso.
Mas já estou preocupado com esta alforria. Vi ontem, 6/2/10, durante a sessão da hidroterapia, o portuga que impôs a lei do silêncio aos serradores.
A foto, da Paula, captada pela máquina do "colega meu", mostra a sacola plástica que imobilizou o inocente brinquedo (clique na imagem para ampliar).

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Lá se foi o PSP


A aldeia voltou aos braços do Povo Com Praia - PCP.
Se bem que a tal "invasão", apregoada por impolutas autoridades, devidamente reboradas por alguns preguiçosos colegas da velha mídia - é tema pra outro post -, da presença de "450 mil turista aqui e de "1 milhão no litoral sul", não passou de um factóide em decomposição e mau enjambrado.
Ler tal presságio dá vontade de enfiar a cabeça na cumbuca.
Foi uma temporada pra entender que o "mundo gira e a lusitana roda", as pessoas mudaram e, consequentemente, os costumes.
Hoje, 1º de fevereiro, a praia estava vazia, tendência que se estabeleceu gradativamente a partir do fim dos feriados de final de ano. Restaram alguns prejudicados pelo correr dos anos, os vagabundos de FHC.
Até 15 de janeiro era possível observar um movimento diferente da rotina local, mas jamais aquilo imaginado pelos "çabios" de plantão, que crescia nos finais de semana.
A virada da quinzena foi esclarecedora deste novo tempo, com o movimento praticamente voltando ao normal.
Agora, indo embora os últimos imperdenidos do Povo Sem Praia - PSP -, que se faça a leitura correta da dinâmica dos tempos atuais.
Está temporada não tem precedente há tempos. Foi de um sol inclemente, nascendo e se pondo todos os dias, com temperatura acima de 35º, desde 30/12/2009 até ontem, 31/01/2010.
To aqui há sete anos e não vi nada igual, sem aquela tradicional chuva refrescante de verão.
Ou seja, não basta só o astro rei brilhar que tudo tá dominado.
Cada vez mais as pessoas tão reduzindo o seu tempo de costas para o restante do Brasil.
Os sinais são generosos pra quem quer entender.
Ps: Também sumiram os pernilongos, dando as caras, ou melhor, zunindo nos nossos ouvidos na última noite, de 1º para 2 de fevereiro - salve, salve, Iemanjá!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Dicas do Prof. Pasquale


O texto abaixo é um destes arquivos que rondam a internet. Ele veio da grande Leda Maria, goiana da cepa, casada com o Zé Antônio, da mesma linhagem, moradores de Goiânia, e que tem também uma ótima casa na aprazível Pirenópolis.
Por considerá-lo com uma certa lógica, tô publicando. Quanto ao autor, prof. Pasquale, não atesto.

E a gente pensa que repete corretamente os ' ditos populares'.

No popular se diz: 'Esse menino não pára quieto, parece que tem bicho carpinteiro'. "Minha grande dúvida na infância... Mas que bicho é esse que é carpinteiro, um bicho pode ser carpinteiro???" O correto: 'Esse menino não pára quieto, parece que tem bicho no corpo inteiro'.

"Tá aí a resposta para meu dilema de infância!"

'Batatinha quando nasce, esparrama pelo chão.' O correto é: ' Batatinha quando nasce, espalha a rama pelo chão.' "Se a batata é uma raiz, ou seja, nasce enterrada, como ela se esparrama pelo chão se ela está embaixo dele?"

'Cor de burro quando foge.' O correto é: 'Corro de burro quando foge!' "Esse foi o pior de todos! Burro muda de cor quando foge??? Qual cor ele fica??? Porque ele muda de cor???" Eu queria porque queria ver um burro fugindo para ver a cor dele!

Outro que no popular todo mundo erra:

'Quem tem boca vai a Roma.' "Bom, esse eu entendia, de um modo errado, mas entendia! Pensava que quem sabia se comunicar ia a qualquer lugar!" O correto é: 'Quem tem boca vaia Roma.' (isso mesmo, do verbo vaiar).

Outro que todo mundo diz errado:

'Cuspido e escarrado' - quando alguém quer dizer que é muito parecido com outra pessoa. O correto é: 'Esculpido em Carrara.' (Carrara é um tipo de mármore)

Mais um famoso... 'Quem não tem cão, caça com gato.' "Entendia também, errado, mas entendia! Se não tem o cão para ajudar na caça o gato ajuda! Tudo bem que o gato só faz o que quer, quando quer e se quer, mas vai que o bicho tá de bom humor!". O correto é:'Quem não tem cão, caça como gato.... ou seja, sozinho!'

Vai dizer que você falava corretamente algum desses?