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terça-feira, 24 de agosto de 2010

Registrando


Salvo contratempo, mesmo porque o assunto é árido, fugidio, embora não tenho estatística - a oralidade também é uma forma de registro - a aldeia teve neste ano o primeiro inverno de verdade e um dos dias mais frio dos últimos 40 anos, com a sensação térmica chegando aos 10º.
Convenhamos que pra um maratimba que vive paramentado só de sandália e calção o ano todo foi um descalabro.
Exemplo eloqüente do ocorrido: Nélio, nosso Kojak, figuraça daqui, que diariamente exibe a pança avantajada e a careca brilhante, cuja indumentária se resume a um calção, foi pego de moleton, tênis e camiseta, reconhecido graças ao seu físico e o andar. Pode não ser um maratimba de quatro costado pra exemplificar o fenômeno, mas ele pegou o gosto pelo ar marinho e encarnou o espírito da coisa. Portanto um exemplar fidedigno que não fica devendo nada a fauna local.
Nós que chegamos pra cá há sete anos estranhamos muito a mudança repentina.
O normal são as frente frias que não duram mais que uma semana. O frio foi de lascar.

sábado, 27 de março de 2010

Sou do tempo do jacá



-Hoje tá tudo muito moderno, mas não deixo meu jacá e minha égua por nada nesse mundo.
Pode parecer prosaico. Não é. É o "seu" Zezinho, um típico maratimba professando do alto dos seus quase 50 anos a sua opção de vida, vender aos moradores e veranistas da aldeia, abacaxi, manga, aipim, transportados em jacás dependurados no lombo de uma égua. Valente, a égua é ainda o seu meio de transporte.
"Seu" Zezinho é um dos bravos a se contrapor ao "tempo é dinheiro".
As "motos hortifruti" são figurinhas fáceis por aqui. Algumas se parecem com um "mercadinho ambulante", dependendo da criatividade e do capital do dono, levando na garupa de verduras a frutas, direto do Ceasa. Indagados, negam, "garantindo" que é produção própria.
A do "seu" Zezinho é orgânica. Se tiver resíduo tóxico é da pulverização aérea nos canaviais da Usina Paineiras.
Um viva ao "seu" Zezinho!
Foto site maratimba.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Ele tá chegando

Não, não é o alquimista.Também não é o vento leste, embora esta seja a sua estação.
É o Povo Sem Praia, o PSP. Alguns se anteciparam. A horda chega mesmo após se fartar com outros animais mortos, na ceia de 25.
Chegam pra banhar de sal a "bifa", posicionando as costas pro interior e pros raios violetas.
Carregam seus penduricalhos e atraem outros agregados.
Primeiros, os vendendores de redes, colchas, pano de prato, "pra senhora dona casa, barato, barato, três por $ 10,00, corre aqui no caminhão", abrem e fecham a estação. Tem o carro da uva, um engraçadinho: "pode fazer fila, mas não empurrrrra". Xô.
O circo chegou "pra uma curta temporada". Ele tem macaca. Animal é pra ficar livre, solto.
"Coscada", do "doce mais doce", dia sim outro também, após o almoço, passa oferecendo a sobremesa. Ano passado tentou outra estratégia, com o amendoim, o "viagra". No dia seguinte já tinha desistido. Voltou pro o cesto de "coscada".
O PSP é o cara! Eles têm a pele do invasor. Estão vestidos, no máximo, com duas peças de roupa. O rei tá despido!!!!!
Tem hora pra chegar e partir, e tudo terá que ser feito neste tempo. Faça sol ou chova, vão a praia.
Ah! o som! É pra você escutar, sempre no último volume. É um ramo a parte da árvore genealógica do PSP.
O arroz, a carne, o leite e até a empregada doméstica, formam os ítens indispensáveis do PSP. Alguns alimentos vêem cozidos. Quando acabam ligam pros parentes/amigos, que virão no fim semana, pra trazer o "feijão cozido que tá no congelador'. Aqui tudo tem o custo do importado. É verdade. Testemunho do Povo Com Praia, o PCP.
Tem os carros dos churros, pamonhas, pizzas, passando estrategicamentes na hora do lanche.
Não esqueci do caminhão, ôrra meu, que chamam de trio. Argh!!!!!!
Assim corre o tempo. Que chegue logo o carnaval, o PSP volte às origens e o PCP tenha Maratimba de volta.
Ano que vem eles voltam, e longe de tudo querem passar do limite.