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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

De um lado ao outro


Há poucos dias bordejamos por um trecho do Espírito Santo, uma espécie de viagem a um passado recente que, por circunstâncias da vida, consequência da siringomielia, não fazia desde 2004.
Não que eu tenha desistido. Só que agora a logística é mais complexa. Não depende mais só do desejo e de uma bolsa com algumas peças de roupas pra viagem.
Fomos de Marataízes, sul capixaba, a Nova Venécia, no noroeste, um percurso de cerca de 450 km, pra rever amigos.
Foi bom constatar a contribuição positivamente pra humanidade.
Como era sentimental, o périplo deu pra ver o entrecorte do Estado, na figura dos seus rios de água, essencial a vida, que insistimos na sua destruição.
Saímos com a água do rio Itapemirim pra dormir banhados com a do Cricaré. No retorno, experimentamos a do Rio Doce, numa estadia em Linhares.
O percurso permitiu também passar pelos rios Benevente, Jucu, Fundão e Preto.
A limitação não é razão pra novas vadiagens.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Os "alemão" tramam


A Gazeta/Vitória, de hoje, 29/07/2010, trás novos indícios da construção, pela Vale, de uma siderúrgica no entorno da aldeia.
A notícia - não tá na edição online - difere de um fato consumado poraqui: Ela tá pagando a Usina Paineiras mais de 50 milhões por uma área de 1.100 hectares em Itapemirim.
O corolário de uma "autoridade" da empresa que abre a matéria é: "A CSU* é o único projeto siderúrgico no Estado, mas a aquisição de área mais ao Sul é uma questão estratégica. A empresa pode, sim, querer implantar, no futuro, outra planta siderúrgica". Ai meus sais!
A área comprada fica próxima do Rio Itapemirim e do mar. Portanto, ao lado de dois bens estratégicos pra esses projetos.
*CSU é uma siderúrgica que tá sendo implantada em Anchieta, indo pra Vitória.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Os "alemão" avançam


É preciso certo cuidado com o que fala alguns políticos, principalmente se for Theodorico Ferraço, deputado estadual do pefelê/demo capixaba.
Num intervalo comercial da novela das oito da TV Gazeta Sul, braço da "plim plim" aqui, segunda-feira, o deputado trombeteou a "compra, pela Vale, de mil hectares de terras em Itapemirim pra instalação de uma siderúrgica, que vai gerar 10 mil empregos'.
A compra e o tamanho da área "eu agarântio", o que eleva o valor da transação pra mais de $ 50 milhões, diferente do postado abaixo.
Já a siderúrgica fica por conta do sonho do deputado.
A Vale até agora fala em Ubu, Anchieta.
Aliás, a prefeita de Itapemirim, Norma Ayub, é mulher do parlamentar, que é também o pai do atual vice-governador e candidato do PMDB a governador em outubro próximo.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A lógica


Do outro lado da foz do rio Itapemirim, sentido Norte, sobrou pra Itapemirim, após a criação do município de Marataízes, no ES, a aldeia, uma pequena faixa de litoral, onde ficam as praias de Itaoca e Itaipava.
A partilha dessa emancipação tem nuances que só a política explica.
Itapemirim abocanhou as terras produtivas do interior, incluindo a Usina Paineiras, produtora de álcool e açúcar.
Marataízes ficou com a maior faixa de praia, 20 km contra cinco, mas é Itapemirim quem recebe a maior fatia de royalties do petróleo, produzido no mar capixaba, ocupando a 5ª posição no ranking estadual. Já a aldeia figura lá pelo 20º lugar, entre os arrecadadores do tributo.
Vai entender a lógica.
Indo ao que interessa, a imprensa do Estado noticiou que o mar voltou a destruir parte da pista, reconstruída há poucos meses, na orla de Itaipava, onde tá também o mais importante porto de pesca capixaba, sobresaindo o atum.
Por conta disso fizeram um enorme espigão no mar, aquele aterro com pedras, pra proteger a área onde os barcos atracam.
Resolveu um problema e criou outro.
Aí tiveram que fazer outro espigão, dividindo a enseada, principal atrativo local, ao meio.
O mar voltou a tomar o que é seu.
Os "çabios" projetaram uma contenção de pedras, na lateral da pista, próxima da areia, pra segurar a fúria da água, acreditando que estava tudo dominado.
Bastou a próxima ressaca do mar, a notícia do jornal.
A declaração de um cidadão, registrada pela matéria, mostra a sua preocupação com a pista por permitir a passagem de um só veículo.
É, precisamos evoluir mais.
Criar e respeitar uma faixa de proteção entre a ocupação urbana e o mar, não faz parte da lógica e nem é prioridade pra maioria das pessoas, que avançam, cada vez mais, com suas construções sobre o mar.
Mas a conta, sempre mais salgada, tá chegando.

domingo, 8 de março de 2009

Verão de mar azul


É possível que num tempo não muito longínquo - ele passa rápido -, este verão com sol de rachar mamona, ainda inconcluso, seja lembrado, graça as elevadas temperaturas, com termômetro na casa dos 40º, como o da entrada triunfal no aquecimento global. É só uma elucubração, tirada de fatos como dar picolé/sorvete aos animais enjaulados em circos de horrores, os zoológicos, prisões inventadas pelos humanóides, tirando o que é de mais caro pra nós, a liberdade.
No contraponto, registro que foi o verão do mar azul, variando tonalidades em alguns dias, pontuando o azul-azul por toda estação. Tá bom de ver.
Na aldeia vivesse um paradoxo com a cor do mar. O rio Itapemirim, formado por uma bacia relativamente grande, em se tratando de território capixaba, desagua aqui. Ao menor sinal de chuva, a enchente despeja na sua foz uma água cor de terra, de destruição e, empurrada pela corrente marítima, cobre toda orla. Neste ano, de muito chuva, o fenômeno não aconteceu. Talvez a explicação esteja no fato do vento nordeste ter sido ameno, soprando preguiçosamente.
Daí o registro do verão de mar azul. Um azul pouco visto no litoral brasileiro.
Outro informe: Quando entra o vento sul, a corrente trás um verde espetacular. Em algumas situações, uma linha divisória separa o azul da orla e o verde da costa. Beleza pura.
Com um pouco mais de sorte é possível assistir a uma exibição da baleia Jubarte.