quinta-feira, 12 de março de 2009

Lula é pop



O título acima não tem nada de original. Eu sei. Ele foi chupado do portal Gazeta online, que chupou, também, é claro, da canção dos Engenheiros do Hawai, trocando apenas o personagem da música, o Papa. Assim caminha a humanidade.
O registro é da passagem de Lula pelo Espírito Santo, semana passada, tentativa de explicar a popularidade do presidente. É um campo minado e não dá pra sair dele chamuscado.
A pergunta feita, imagino, é: Como o "fenômeno" acontece? Se olhamos para os lados só enxergamos manchetes de crise, desemprego, violência. Etecetera, etecetera...
Para reforçar o post, das 14 páginas do primeiro caderno da versão impressa do portal, publicada no sábado, 7/3/2009, nove páginas internas e mais da metade da capa do jornal, foram dedicadas a visita do cara, que teve ainda 14 fotos publicadas na edição.
Parafraseando, o "nunca antes na história" da imprensa capixaba vi, anotei e testemunhei algo parecido.
O espanto deles com a popularidade do "matador do cerrado", com explicações múltiplas para o fato, se equivale a minha curiosidade pela "generosidade" ao abrirem tantas páginas para o fenômeno da visita. É matéria jornalística, estúpido. Sei, sei..........
O blog variou, mas prometo retomar a singeleza apenas dos ensinamentos da ciência da aldeia.

domingo, 8 de março de 2009

Verão de mar azul


É possível que num tempo não muito longínquo - ele passa rápido -, este verão com sol de rachar mamona, ainda inconcluso, seja lembrado, graça as elevadas temperaturas, com termômetro na casa dos 40º, como o da entrada triunfal no aquecimento global. É só uma elucubração, tirada de fatos como dar picolé/sorvete aos animais enjaulados em circos de horrores, os zoológicos, prisões inventadas pelos humanóides, tirando o que é de mais caro pra nós, a liberdade.
No contraponto, registro que foi o verão do mar azul, variando tonalidades em alguns dias, pontuando o azul-azul por toda estação. Tá bom de ver.
Na aldeia vivesse um paradoxo com a cor do mar. O rio Itapemirim, formado por uma bacia relativamente grande, em se tratando de território capixaba, desagua aqui. Ao menor sinal de chuva, a enchente despeja na sua foz uma água cor de terra, de destruição e, empurrada pela corrente marítima, cobre toda orla. Neste ano, de muito chuva, o fenômeno não aconteceu. Talvez a explicação esteja no fato do vento nordeste ter sido ameno, soprando preguiçosamente.
Daí o registro do verão de mar azul. Um azul pouco visto no litoral brasileiro.
Outro informe: Quando entra o vento sul, a corrente trás um verde espetacular. Em algumas situações, uma linha divisória separa o azul da orla e o verde da costa. Beleza pura.
Com um pouco mais de sorte é possível assistir a uma exibição da baleia Jubarte.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Mais uma da Menina Céu


-Açoite me Senhor, pede a Menina Céu toda vez que se depara com um objeto de desejo exposto numa dessas vitrinas de lojas da vida, quando aquele impulso compulsivo de comprar toma conta da sua mente e a sua conta anda pra lá de bala perdida.
Na situação atual, depois da repaginada, o Senhor terá trabalho redobrado com a criatura. Ou o autoflagelo trará consequências imprevisíveis ao seu escultural "corpito". Não é exagero. Mesmo porque não existe recomendação, porta ou corrente capaz de manter Menina Céu sossegada dentro de uma casa. Tem uma coisa forte, latente, pedindo insistentemente, atordoando a cabeça e a alma da Menina Céu: me leva pra rua, me leva pra rua.......
Rua que é o seu território livre.
O vulcão existente dentro dela tá em ebulição permanente.
Há testemunhas.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Menina Céu

É muito bom quando alguém de alma limpa cruza sua vida. Estou falando de humano. E, todo humano, na essência da sua natureza, é cópia única nas suas virtudes e fraquezas.
Menina Céu, ao lado, mora e trabalha em Brasília. No começo - nos conhecemos há cerca de dois anos - era a "rainha, o furacão da 302 N". Agora, após uma repaginada, foi elevada a condição de "Menina".
Mesmo em "repouso", não faltou com a obrigação do que mais gosta de fazer, amassar e ser amassada por seus "negões", pra acordar no dia seguinte com um largo sorriso e a pele sedosa.
Outro esporte favorito seu é o forró. É pra isto mesmo: caçar. E carrega a mulher dos outros.
Tem sempre uma trupe ao seu redor. Ao contrário do seu chefe, seco e sisudo, Menina Céu esbanja humor, alegria, compreensão e contemporiza, características que atraem e cativam as pessoas, humanizando a convivência no apartamento que administra.
Seu mais recente troféu é a Gabi, sua neta, pra dar continuidade a sua linhagem.
Também adotou a Biscoito, zumbi da quadra, viciada em jogo do bicho, figuraça, como sua auxiliar de serviço. Ela, como nós e tantos outros, formam o seu exército de seguidores.
Vida longa, Menina Céu, é o nosso desejo, meu e da Paula, pra continuar forrózando nas pistas e despertando olhares desejosos.
Continua vivo o projeto do seu busto pra ser colocado na entrada da quadra.
Ah, sim, Menina Céu é trabalhadora, competente e responsável.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Eu tenho siringomielia* III


Sarah & bengalas


Meu primeiro contato com Brasília foi entre 1972/73. A siringomielia deveria estar adormecida, algo parecido com aquele conto da Bela......
Como o "Boiadeiro", a música da Legião Urbana, fui em busca de trabalho.
A capital federal engatinhava, comandada pela ditadura, agora remendada pela FSP - Folha de São Paulo - como "ditabranda".
Arrrrrrgh!!!!
Era o tempo do "aqui o sistema é bruto". A qualquer sinal, os verdes olivas estavam nas ruas.
Foi uma passagem relâmpago, que me levou a Posse, Guarani de Goiás e Alvorada do Norte, todas no Norte de Goiás, quase na divisa com a Bahia. Não era minha praia. Chutei tudo pro alto e voltei à origem, convicto de um dia retornar.
Pois, 23 anos depois, de volta ao planalto central.
Com limitações, é verdade, agora com siringomielia, só que também cheio de expectativas com a experiência que aquela oportunidade me traria.
É bom colher pela ousadia do que se lamentar pela omissão.
A "mimi" era fato. O comprometimento da marcha irreversível. Só que minha cabeça fervia pelas possibilidades que se mostravam.
Três episódios, todos ligados à rotina de trabalho, chamaram a minha atenção.
A perna esquerda arrastando cada vez mais e sem potência pra caminhar, cerca de 600 metros, da garagem até o gabinete, no anexo IV, da Câmara dos Deputados.
Na entrada do prédio tinha uma escada de uns oito degraus. Nada de lances altos. Passei a procurar apoio lateral pra descer ou subir o local.
O terceiro episódio foi a dificuldade em usar uma escada rolante entre o Anexo IV e o plenário da Câmara. Não tinha mais firmeza pra entrar ou sair da coisa. O equilíbrio e o passo não chegavam a um acordo. Bobeou? Tá lá um corpo no chão!!!!!!!
, é sério - pensei.
Em 1996, procurei o hospital Sarah. Aceito, fiz diversos exames. Um chamou mais a atenção, o da marcha. Filmaram as quatro formas das minhas caminhadas. É um registro único do que estava acontecendo quatro anos após a confirmação da siringomielia. ( conversado com meu médico pra liberar as imagens desse e de outro exame feito em 2006 e publicá-los aqui).
O médico indicou o tratamento tradicional, a fisioterapia, para fortalecimento dos músculos. Por cerca de três meses frequentei o ginásio e a hidroterapia. Findo o prazo, recomendaram pra continuar a reabilitação fora.
Cheguei até a encarar a recomendação, só que não passou de quatro meses. É difícil conciliar essa rotina com sexo, droga e rock and roll. É preciso optar. Não estava preparado, confesso. Pra mim, naquele momento, ainda conseguindo me movimentar e, principalmente, dirigir um carro sem adaptação ou câmbio automático, em viagens de Brasília a Vitória, e viceversa, era o que importava. Tinha autonomia de ir e vir. As consequências seriam resolvidas depois.
Esta autonomia permitiu, por exemplo, que em 1995 aventurasse num acampamento às margens do rio Araguaia, em julho, quando as águas baixam e formam "praias" de extensas faixas de areia, muito legal, a convite de amigos/amigas de Goiânia. No ano seguinte voltei e tive sérias dificuldades pra entrar e sair do barco que levava até o acampamento, caminhar na areia e dormir na barraca. Foi a minha última aventura deste quilate.
Daí a ter a minha primeira bengala não demorou muito. Aconteceu num lance curioso. Nada de indicação médica ou de fisioterapeuta. Um amigo da turma de Goiânia, Vandinho, consultou outro, Aroldo Márcio, como reagiria ao presente, entendendo ele que a bengala me ajudaria. Aceitei e ele mandou trazer de Nova York. Tinha o cabo na forma de um taco de golfe e desmontável. Usei por uns oito meses durante 1997. Um dia não resistiu meu peso e quebrou. Não teve outro jeito, não dava mais pra caminhar sem apoio. Comprei outra, mais resistente, minha companheira até 2005.
Eu consegui desenvolver uma razoável técnica na arte de cozinhar, principalmente pratos com frutos do mar. Em algumas ocasiões de preparação de almoço/jantares, só mais tarde descobriria ponto de queimadura nas mãos. Assim começou o processo de perda da sensibilidade, outro tipo de manifestação da siringomielia.
O cerco se fechava.
A história continua.

*A siringomielia é uma doença na medula. Ela dilata o canal central, criando uma cavidade que pode prejudicar a circulação do líquor. Ela se desenvolve lenta e progressivamente, afetando membros inferiores e superiores, provocando enrijecimento e perda da sensibilidade, além de dor de cabeça, problemas neurológicos e espasmo. Cada caso é um caso. É rara. Não tem cura. É preciso conviver com ela.
Outras informações no http://siringomielia.blogspot.com, em espanhol.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

A aldeia é nossa!!!

Foi uma temporada de verão como as outras, diferente, pois nada é estático, tem a dinâmica do tempo, da vida. Não é poste.
O PSP - Povo Sem Praia - veio em número reduzido, nada que se compare as manchetes de determinados jornais e tvs, que insistem em inflar o número de banhistas perambulando aqui.
Tipo assim: "300 mil turistas em Piúma". Ou "380 mil turistas em Itaoca e Itaipava".
Ai, ai, ai, minha canela!!!!!!
É um chute fenomenal, o de agora, não aquele de quando o cara jogava de verdade.
Crise econômica, temporais e feriado longo no final do ano. Alguém pode pinçar um desses exemplos ou juntar todos pra explicar o que aconteceu. É um exercício mental.
Não fique desapontado. Se até Davos, aquela reunião dos ricos, deu chabu.
Mas só sei que passou a temporada dos banhistas e a aldeia voltou a ser dos nativos e agregados.
Utilidade pública: Uma salva ao juiz de direito local pela portaria colocando ordem na zorra de carros com som. Funcionou por que respaldou a ação policial.
Que estenda sua validade para a próxima temporada do PSP, sem a mínima chance de qualquer semelhança com a de 2009.
Tente viver e verás.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Oi de casa, o Senhor te chama


Andavam sumidos.
Talvez a presença do povo sem praia intimida o pastoreio e não seja também alvo interessante pra aumentar o seu rebanho.
Aqui na aldeia, semana sim, outra também, de quinta a sábado, estão batendo na sua porta, independente se esteja aberta:
- Oi de casa, posso falar com você.
Se avistam alguém, o assédio é fatal. Apertam o passo pra não te perder. Não querem saber o que você esteja fazendo. Vão logo tirando um folha impressa da bolsa e falando maravilhas da salvação da alma.
O interessante é que a abordagem é sempre feita por mulheres. Andam em grupos de seis, oito, dez pessoas. Os homens ficam separados, portando pastas ou bolsas maiores, que, imagino, cheias dos tais folhetos. Nesta semana vi um menino todo paramentado, caminhando ao lado dos homens. Uma novidade.
A divisão do grupo mostra uma característica reinante neste segmento evangélico, a discriminação da mulher. Outra marca é o estilo da roupa. Saia longa para mulheres, calça escura e camisa branca para os homens, sem falar no cabelo longo da mulher.
Pintou na rua são longo reconhecidos.
São insistentes, não importando se já te visitaram.
Sabe, né? Tão sempre na esperança de te arrebanhar.
Já elucubrei diversas estratégias pra despistá-los. Colocar na frente de casa bustos do preto velho, de Iemanjá e nega maluca, além de carranca, cruz, pra ver se passam longe.
Te escunjuro! Vade reto!
Ainda não consumei o fato.
Aqui tem templos evangélicos em profusão.
A parada é dura com as portas de boteco.
O Luiz AP, grande amigo, de volta ao Espírito Santo, até aventou a possibilidade de criarmos a seita Oh Deus! Vamos fazer amor.