terça-feira, 24 de agosto de 2010

Registrando


Salvo contratempo, mesmo porque o assunto é árido, fugidio, embora não tenho estatística - a oralidade também é uma forma de registro - a aldeia teve neste ano o primeiro inverno de verdade e um dos dias mais frio dos últimos 40 anos, com a sensação térmica chegando aos 10º.
Convenhamos que pra um maratimba que vive paramentado só de sandália e calção o ano todo foi um descalabro.
Exemplo eloqüente do ocorrido: Nélio, nosso Kojak, figuraça daqui, que diariamente exibe a pança avantajada e a careca brilhante, cuja indumentária se resume a um calção, foi pego de moleton, tênis e camiseta, reconhecido graças ao seu físico e o andar. Pode não ser um maratimba de quatro costado pra exemplificar o fenômeno, mas ele pegou o gosto pelo ar marinho e encarnou o espírito da coisa. Portanto um exemplar fidedigno que não fica devendo nada a fauna local.
Nós que chegamos pra cá há sete anos estranhamos muito a mudança repentina.
O normal são as frente frias que não duram mais que uma semana. O frio foi de lascar.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Vai entender


Dificilmente terei a resposta pra esta pergunta: O que leva uma pessoa a pular 1,90 metros pra roubar um vaso de planta na sua varanda?
Terça, 17, após o café, rotina da manhã, fomos ler o jornal.
A Paula, surpresa, indagou se eu não tinha percebido alguma coisa.
- Não, respondi.
- Roubaram uma planta - apontou, incrédula para os vasos que ficam na varanda.
Verdade. Faltava o antúrio, presente da irmã Eloisa, quando chegamos à aldeia há sete anos. Com outros dois formava a nossa "coleção" de plantas.
Tinha pouco menos de meio metros de altura e o vaso pesava uns 15 kg de terra. Estava se preparando pra florir nesta primavera, época que também atraia um besouro, de uns cinco centímetros, pra tarefa de polinização.
Já tínhamos sido surpreendidos com o furto de uma lâmpada fluorescente e também de algumas peças de roupas, mas a do vaso com o antúrio foi inusitado.
Reitero, não racionalizo uma resposta para o fato.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

De um lado ao outro


Há poucos dias bordejamos por um trecho do Espírito Santo, uma espécie de viagem a um passado recente que, por circunstâncias da vida, consequência da siringomielia, não fazia desde 2004.
Não que eu tenha desistido. Só que agora a logística é mais complexa. Não depende mais só do desejo e de uma bolsa com algumas peças de roupas pra viagem.
Fomos de Marataízes, sul capixaba, a Nova Venécia, no noroeste, um percurso de cerca de 450 km, pra rever amigos.
Foi bom constatar a contribuição positivamente pra humanidade.
Como era sentimental, o périplo deu pra ver o entrecorte do Estado, na figura dos seus rios de água, essencial a vida, que insistimos na sua destruição.
Saímos com a água do rio Itapemirim pra dormir banhados com a do Cricaré. No retorno, experimentamos a do Rio Doce, numa estadia em Linhares.
O percurso permitiu também passar pelos rios Benevente, Jucu, Fundão e Preto.
A limitação não é razão pra novas vadiagens.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Os "alemão" tramam


A Gazeta/Vitória, de hoje, 29/07/2010, trás novos indícios da construção, pela Vale, de uma siderúrgica no entorno da aldeia.
A notícia - não tá na edição online - difere de um fato consumado poraqui: Ela tá pagando a Usina Paineiras mais de 50 milhões por uma área de 1.100 hectares em Itapemirim.
O corolário de uma "autoridade" da empresa que abre a matéria é: "A CSU* é o único projeto siderúrgico no Estado, mas a aquisição de área mais ao Sul é uma questão estratégica. A empresa pode, sim, querer implantar, no futuro, outra planta siderúrgica". Ai meus sais!
A área comprada fica próxima do Rio Itapemirim e do mar. Portanto, ao lado de dois bens estratégicos pra esses projetos.
*CSU é uma siderúrgica que tá sendo implantada em Anchieta, indo pra Vitória.

sábado, 24 de julho de 2010

Ninguém escapa


- Bom dia! Desejou um senhor, aparentando ter entre 40 a 50 anos, carregando uma pasta e vestindo uma roupa impecavelmente limpa, bem passada e discreta, distinção desse grupo social. O cumprimento seria uma gentileza, ainda muito usual em locais como na aldeia.
-Bom dia! Respondeu a senhora postada na pequena varanda do sobrado, vizinho à nossa moradia, provavelmente tomando o sol da manhã, espantando o frio que teima em continuar implacável porraqui.
- Posso entrar? Indagou o transeunte, crente em arrebanhar uma nova ovelha.
- Não, não! O portão tá fechado! Respondeu a senhora, demonstrando pelo tom da voz que a "visita" não era bem-vinda. Parece não ter se abalado com a recusa. Talvez por ser algo rotineiro em sua peregrinação à cata de ovelhas pra o rebanho da igreja.
Continuou a caminhada, apostando, creio, que mais à frente outro morador esteja disposto a ouvi-lo. Ou não tenha como fugir ao seu assédio, aceitando seu convite a conversão ao Senhor.

Ps: Quando finalizava o texto fui surpreendido por um fato bisonho. Breve estará aqui.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Exagerou


A manhã desta segunda, 19/7/10, foi braba. Parece que a Usina Paineiras, produtora de açúcar e álcool, resolveu brindar os maratibas. Depois de represar todo o pum da moagem dessa safra de cana, soltou o veneno de uma só vez pra aquele famosa acusão: - Você peidou aí, pô.
Aliás a safra atual difere de outras, sendo colhida mais tardiamente por causa da seca no verão, que retardou o crescimento da cana.
É o vento sul que trás pra cá o fedor do pum, em dias como o de hoje, nublado.
A fábrica tá a uns 18 km, em linha reta, da sede da aldeia.
O pum vem do vinhoto, extraído na fermentação do caldo da cana. Antes era jogado no rio. Agora é espalhado como fertilizante nas áreas de plantio da cana.
Pode ser menos prejudicial ao meio-ambiente, mas o fedor é real em nossas narinas.
Aqui mais pum.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Ao JB de boas leituras


Uma notícia de hoje, 13/7/10, anunciando que a versão impressa do Jornal do Brasil deixará de circular nesta semana, ficando só a online, fecha um ciclo da inteligência brasileira. A sua agonia se arrasta há tempos, entrando na fase terminal já no final dos anos 90 e começo de 2000. Há inúmeros comentários e palpites circulando por ai, dando conta desta sua derrocada empresarial.
Foi pelas páginas de bom JB - Jornal do Brasil - que passei a gostar de ler jornal, graças ao "tio Barroso", que comandava o Correios em "Jerominho" Monteiro, Sul Capixaba, e seu assinante.
Vem lá do meado dos anos 60. Nas décadas seguintes passei a comprá-lo. Inclusive onde trabalhei sempre incentivei a sua assinatura.
No seu ocaso até comprei alguns exemplares. Nada animador.
Depois tentei O Globo, seu fantasma.
Não me verguei.
Viva o JB.