domingo, 2 de fevereiro de 2014

Uma leitura apaixonante

O ciclo do ouro no Brasil é um evento sem paralelo na história da humanidade. É uma amostra de que não basta ter só a riqueza. Por cerca de dois séculos e meio a busca por Sabarabuçu, uma montanha reluzente em ouro, incendiou a cobiça de plebeus e reis, ávidos pela fortuna fácil e o enriquecimento da noite para o dia. Ela existiu, não na forma de uma montanha, mas sim num eldorado onde o simples gesto de se arrancar uma planta do solo as suas raízes estavam impregnadas do metal. A exploração do ouro foi de 1697 a 1810 e o autor estima a produção em cerca de 1.000 toneladas, fora o contrabando. Boa Ventura, de Lucas Figueiredo, indicação do amigo e também voraz leitor, Heli Fonseca, é um passeio neste universo, desnudando fatos e personagens numa narrativa leve, compreensiva e rica, reconstruindo este importante ciclo da nossa história. Vale a muito a sua leitura.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Eu Tenho Siringomielia XIII

Aparando o mato.
Ou como me tornei um soldado de César, o imperador.

E como ele cresceu por aqui. Também a siringomielia continuou o seu avanço silencioso, limitando cada vez mais meus movimentos, agora acrescido de dores por todo o corpo.
São paralelos diferentes.
O mato cresce porque a natureza é sábia na sua reconstrução. Tem a capacidade de ir mudando de fases até voltar a se tornar uma floresta exuberante.
Já a siringomielia vai no sentido inverso, o que é o seu curso normal. Assim são os seres e os organismos vivos de Gaia. Cada um cumprindo o seu papel, por mais paradoxal que isso possa parecer.

No final de novembro de 2010, experimentei um novo revés na convivência com a siringomielia. Fui dormir com o corpo em pleno funcionamento, dentro dos padrões da época. Ao acordar no dia seguinte não acreditei no que estava acontecendo: O meu ombro esquerdo todo inchado, um vermelhão assustador e com o braço travado, sem movimento e dolorido.
-Perdi a minha asa esquerda, pensei.
Era o braço com o qual tocava a minha vida e pra onde tinha transferido grande parte das atividades manuais. As sequelas da "mimi" estão concentradas na perna esquerda e braço direito. O braço direito não está totalmente avariado, me permitindo arriscar algumas coisas que não pedem força, tato, sensibilidade. Forçando até que colabora.
Foi um "toco". O chão escafedeu-se. E agora criatura?
Um turbilhão de indagações permeou meus pensamentos, tentando encontrar uma saída ou uma resposta racional pra aquilo.
Esperei a segunda feira - aconteceu de sexta pra sábado - pra ir ao médico daqui, Marataízes/ES, sem muita estrutura. Depois, mais calmo e já racionalizando aquele acontecimento, fui buscar ajuda em Vitória. Se pretendo continuar mais tempo por aqui, então, é enfrentar mais essa adversidade.
O ortopedista que me atendeu - em 17/12, meu aniversário - foi uma dessas pessoas que são enviadas pra gente. Ele pediu alguns exames e uma consulta a um angiologista.
Aí aconteceu outro fato inesperado. Aguardava na ante-sala pra ser atendido e eis que aparece o Dr. João Sandri, conhecido de Manguinhos/Serra/ES, onde também morei, e não via há mais de 20 anos. Rememoramos diversos fatos daquele período e ele acompanhou a consulta, que ficou como cortesia por esse reencontro.
Saí de lá feliz com o acaso, reanimado e confiante naquela mensagem: Vai continuar vivendo.
Por não ter sido uma queda, o ortopedista descartou a cirurgia. Teria que me ajeitar com a asa esquerda avariada, minha mais nova companheira.
Eu tinha retorno/revisão marcado pra março de 2010, no hospital Sarah/Brasília, onde trato a siringomielia desde 1995. Era a oportunidade pra fazer outra checagem. Confirmaram o diagnóstico inicial: Deslocamento da junção do braço/ombro com desgaste do osso, sem uma causa pré-definida. Podendo ser tanto uma ação conjunta da doença ou sobrecarga no local pelo uso do andador ou outras causas como ficar com o braço pendurando em frente ao computador.
Ou seja, como a "mimi', não me restou muito alternativa. Era conviver com mais esse intruso e continuar assobiando pra vida.
Pra concluir. De soldado de César, paramentado com uma armadura, ou pássaro da asa quebrada, fui readaptando a vida com esta nova perda.
Injustiça? Destino? Sei lá. Estou mais dependente. Preciso de ajuda pra banho, vestir, servir comida, cortar um bife. Continuo dirigindo, passei a usar caneca de alça, como sozinho, teclando, mas reduzi o uso do andador pra não comprometer mais o ombro. Passei a usar um pouco mais a mão direita. A gente vai se readequando às circunstâncias e aos novos tempos. E vivendo. Que é preciso.

PS: Em 2012 "comemoro 20 anos" do diagnóstico da siringomielia.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

É presidenta!


Ainda me recuperando do tranco - não tenho elementos pra explicar -, e pra não deixar o mato tomar de vez, recebi este spam com uma análise interessante:

Marcos Bagno é opositor ferrenho a Pasqualle Cipro, a quem considera retrógrado e conservador. Ele é doutor pela Unicamp e joga no time de Sírio Possenti, que é aquele cara q é contra o ensino de gramática nas escolas, concordando com ele, ou não, o texto é muito bom e está bombando no twitter, até hj é o único linguísta a figurar nos TT`S (trending topics) que são os tópicos mais citados do mini blog. Confira:

Presidenta, sim!

Marcos Bagno11 de janeiro de 2011 às 10:58h

Se uma mulher e seu cachorro estão atravessando a rua e um motorista embriagado atinge essa senhora e seu cão, o que vamos encontrar no noticiário é o seguinte: “Mulher e cachorro são atropelados por motorista bêbado”. Não é impressionante? Basta um cachorro para fazer sumir a especificidade feminina de uma mulher e jogá-la dentro da forma supostamente “neutra” do masculino. Se alguém tem um filho e oito filhas, vai dizer que tem nove filhos. Quer dizer que a língua é machista? Não, a língua não é machista, porque a língua não existe: o que existe são falantes da língua, gente de carne e osso que determina os destinos do idioma. E como os destinos do idioma, e da sociedade, têm sido determinados desde a pré-história pelos homens, não admira que a marca desse predomínio masculino tenha sido inscrustada na gramática das línguas.

Somente no século XX as mulheres puderam começar a lutar por seus direitos e a exigir, inclusive, que fossem adotadas formas novas em diferentes línguas para acabar com a discriminação multimilenar. Em francês, as profissões, que sempre tiveram forma exclusivamente masculina, passaram a ter seu correspondente feminino, principalmente no francês do Canadá, país incomparavelmente mais democrático e moderno do que a França. Em muitas sociedades desapareceu a distinção entre “senhorita” e “senhora”, já que nunca houve forma específica para o homem não casado, como se o casamento fosse o destino único e possível para todas as mulheres. É claro que isso não aconteceu em todo o mundo, e muitos judeus continuam hoje em dia a rezar a oração que diz “obrigado, Senhor, por eu não ter nascido mulher”.

Agora que temos uma mulher na presidência da República, e não o tucano com cara de vampiro que se tornou o apóstolo da direita mais conservadora, vemos que o Brasil ainda está longe da feminização da língua ocorrida em outros lugares. Dilma Rousseff adotou a forma presidenta, oficializou essa forma em todas as instâncias do governo e deixou claro que é assim que deseja ser chamada. Mas o que faz a nossa “grande imprensa”? Por decisão própria, com raríssimas exceções, como Carta Capital, decide usar única e exclusivamente presidente. E chovem as perguntas das pessoas que têm preguiça de abrir um dicionário ou uma boa gramática: é certo ou é errado? Os dicionários e as gramáticas trazem, preto no branco, a forma presidenta. Mas ainda que não trouxessem, ela estaria perfeitamente de acordo com as regras de formação de palavras da língua.

Assim procederam os chilenos com a presidenta Bachelet, os nicaraguenses com a presidenta Violeta Chamorro, assim procedem os argentinos com a presidenta Cristina K. e os costarricenses com a presidenta Laura Chinchilla Miranda. Mas aqui no Brasil, a “grande mídia” se recusa terminantemente a reconhecer que uma mulher na presidência é um fato extraordinário e que, justamente por isso, merece ser designado por uma forma marcadamente distinta, que é presidenta. O bobo-alegre que desorienta a Folha de S.Paulo em questões de língua declarou que a forma presidenta ia causar “estranheza nos leitores”. Desde quando ele conhece a opinião de todos os leitores do jornal? E por que causaria estranheza aos leitores se aos eleitores não causou estranheza votar na presidenta?

Como diria nosso herói Macunaíma: “Ai, que preguiça…” Mas de uma coisa eu tenho sérias desconfianças: se fosse uma candidata do PSDB que tivesse sido eleita e pedisse para ser chamada de presidenta, a nossa “grande mídia” conservadora decerto não hesitaria em atender a essa solicitação. Ou quem sabe até mesmo a candidata verde por fora e azul por dentro, defensora de tantas ideias retrógradas, seria agraciada com esse obséquio se o pedisse. Estranheza? Nenhuma, diante do que essa mesma imprensa fez durante a campanha. É a exasperação da mídia, umbilicalmente ligada às camadas dominantes, que tenta, nem que seja por um simples -e no lugar de um -a, continuar sua torpe missão de desinformação e distorção da opinião pública.

Marcos Bagno é professor de Linguística na Universidade de Brasília


É presidenta!


Ainda me recuperando do tranco - não tenho elementos pra explicar -, e pra não deixar o mato tomar de vez, recebi este spam com uma análise interessante:

Para quem não sabe, Marcos Bagno é opositor ferrenho a Pasqualle Cipro, a quem considera retrógrado e conservador. Ele é doutor pela Unicamp e joga no time de Sírio Possenti, que é aquele cara q é contra o ensino de gramática nas escolas, concordando com ele, ou não, o texto é muito bom e está bombando no twitter, até hj é o único linguísta a figurar nos TT`S (trending topics) que são os tópicos mais citados do mini blog. Confira:

Presidenta, sim!

Marcos Bagno11 de janeiro de 2011 às 10:58h

Se uma mulher e seu cachorro estão atravessando a rua e um motorista embriagado atinge essa senhora e seu cão, o que vamos encontrar no noticiário é o seguinte: “Mulher e cachorro são atropelados por motorista bêbado”. Não é impressionante? Basta um cachorro para fazer sumir a especificidade feminina de uma mulher e jogá-la dentro da forma supostamente “neutra” do masculino. Se alguém tem um filho e oito filhas, vai dizer que tem nove filhos. Quer dizer que a língua é machista? Não, a língua não é machista, porque a língua não existe: o que existe são falantes da língua, gente de carne e osso que determina os destinos do idioma. E como os destinos do idioma, e da sociedade, têm sido determinados desde a pré-história pelos homens, não admira que a marca desse predomínio masculino tenha sido inscrustada na gramática das línguas.

Somente no século XX as mulheres puderam começar a lutar por seus direitos e a exigir, inclusive, que fossem adotadas formas novas em diferentes línguas para acabar com a discriminação multimilenar. Em francês, as profissões, que sempre tiveram forma exclusivamente masculina, passaram a ter seu correspondente feminino, principalmente no francês do Canadá, país incomparavelmente mais democrático e moderno do que a França. Em muitas sociedades desapareceu a distinção entre “senhorita” e “senhora”, já que nunca houve forma específica para o homem não casado, como se o casamento fosse o destino único e possível para todas as mulheres. É claro que isso não aconteceu em todo o mundo, e muitos judeus continuam hoje em dia a rezar a oração que diz “obrigado, Senhor, por eu não ter nascido mulher”.

Agora que temos uma mulher na presidência da República, e não o tucano com cara de vampiro que se tornou o apóstolo da direita mais conservadora, vemos que o Brasil ainda está longe da feminização da língua ocorrida em outros lugares. Dilma Rousseff adotou a forma presidenta, oficializou essa forma em todas as instâncias do governo e deixou claro que é assim que deseja ser chamada. Mas o que faz a nossa “grande imprensa”? Por decisão própria, com raríssimas exceções, como Carta Capital, decide usar única e exclusivamente presidente. E chovem as perguntas das pessoas que têm preguiça de abrir um dicionário ou uma boa gramática: é certo ou é errado? Os dicionários e as gramáticas trazem, preto no branco, a forma presidenta. Mas ainda que não trouxessem, ela estaria perfeitamente de acordo com as regras de formação de palavras da língua.

Assim procederam os chilenos com a presidenta Bachelet, os nicaraguenses com a presidenta Violeta Chamorro, assim procedem os argentinos com a presidenta Cristina K. e os costarricenses com a presidenta Laura Chinchilla Miranda. Mas aqui no Brasil, a “grande mídia” se recusa terminantemente a reconhecer que uma mulher na presidência é um fato extraordinário e que, justamente por isso, merece ser designado por uma forma marcadamente distinta, que é presidenta. O bobo-alegre que desorienta a Folha de S.Paulo em questões de língua declarou que a forma presidenta ia causar “estranheza nos leitores”. Desde quando ele conhece a opinião de todos os leitores do jornal? E por que causaria estranheza aos leitores se aos eleitores não causou estranheza votar na presidenta?

Como diria nosso herói Macunaíma: “Ai, que preguiça…” Mas de uma coisa eu tenho sérias desconfianças: se fosse uma candidata do PSDB que tivesse sido eleita e pedisse para ser chamada de presidenta, a nossa “grande mídia” conservadora decerto não hesitaria em atender a essa solicitação. Ou quem sabe até mesmo a candidata verde por fora e azul por dentro, defensora de tantas ideias retrógradas, seria agraciada com esse obséquio se o pedisse. Estranheza? Nenhuma, diante do que essa mesma imprensa fez durante a campanha. É a exasperação da mídia, umbilicalmente ligada às camadas dominantes, que tenta, nem que seja por um simples -e no lugar de um -a, continuar sua torpe missão de desinformação e distorção da opinião pública.

Marcos Bagno é professor de Linguística na Universidade de Brasília


sábado, 25 de dezembro de 2010

Com a idade, parece que o tempo acelera


Enquanto reúno força pra outro recomeço, natural da vida, reproduzo alguns textos interessantes como este:
Assim, de repente, enquanto o diabo pisca o olho, chegamos a mais um Natal. Em alguns dias já entraremos no ano novo. Daqui a pouco, chegarão o Carnaval, a Páscoa... É tudo muito rápido. A cada ano parece que a velocidade do tempo aumenta. Por quê?
Aqui o restante.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Pode ser mentira, mas no ano de 2030......


...os jogos de futebol serão arbitrados pela internet.
...todas as mães serão eletrônicas.
...os micróbios serão ampliados mediante determinados produtos químicos e mortos a pauladas.
...o controle do cérebro através do cérebro eletrônico será tão fácil, qualquer pessoa, por mais tola que seja, poderá movimentar um cérebro eletrônico depois deste lhe ter colocado no cérebro a maneira de fazeê-lo.
...as guerras não serão somente bacteriológicas mas também psico, meteoro, termo e escatológicas.
...teremos leite em abundância sem necessidades de vacas.

By Daily Míllor.

http://www2.uol.com.br/millor/index.htm