quarta-feira, 10 de março de 2010

A bunda da Lucinda


De relance, não acreditei. Acordar é ver ali, a menos de dois metros ao alcance dos meus olhos, algo tão parelho como aquela manhã de domingo?
Uma miragem? É o que veio de imediato.
Dei meia volta pra conferi aquela cena-espetáculo matinal.
- Oh céus, é real.
Tomei rumo do banheiro. Não, a intenção não era consumir tal volúpia num ato do prazer individual. Ao contrário. Era preciso recobrar os sentidos, abrindo bem os olhos pra aquele inusitado.
Joguei a água pelo rosto pra despertar os sentidos.
Mirei fixamente a minha imagem no espelho.
Não tive dúvidas: era eu, vivinho e pronto pra uma nova contemplação.
A distância do banheiro pra sala, local da cena-espetáculo, era pequena.
Deslizei suavemente, despido d'alma, pra não despertar suspeita na expiação.
Entre almofadas esparramadas sobre um colchão no chão, dormia um corpo feminino da cor de canela, em posição meio fetal. Vestia uma pequena blusa e uma calcinha asa-delta branca, cobrindo duas amêndoas, voltadas na direção dos meus olhos contemplativos, que não podem ser doados. Será alimento da terra.
Sai pra caminhar na praia. Afinal, natureza é natureza.
Retornei e cena-espetáculo era uma lembrança na memória.
O Walmir Fiorotti, com quem tinha uma casa alugada em Manguinhos/Serra/ES, deu um pouso pra Eliza Lucinda. Foi nos idos da década de oitenta, ela, ainda estrela local e nós caçadores dessas almas femininas.

sábado, 6 de março de 2010

Os números murcharam


O mês de janeiro acabou - e quando é possível ainda ver na primeira quinzena uma razoável aglomeração de veranistas de costas para o Brasil - e as águas de março chegaram como há muito não acontecia, indicando que ficará 40 dias e 40 noites, vou comemorar um feito: Após abrir a temporada com a mesma cantilena, tipo "um milhão de turistas nas praias do sul capixaba" ou "Marataízes espera 450 mil turista", o maior conglomerado da mídia capixaba, Rede Gazeta, passou o restante da temporada calado.
Também já era tempo, mesmo porque tem uma pesquisa interna que fala em 700 mil turistas pra todo o Estado. Embora ainda considere um número alto, vai lá, passa.
Turistas? Também faço ressalvas, optando por veranistas.
O que não dá é ver uma aglomeração de mil ou duas mil pessoas, enfiar o pé e chutar pra 50 ou 100 mil, tascando esse absurdo goela abaixo de leitores, ouvintes e telespectadores.
Marataízes tem cerca de 32 mil habitantes fixos.
E daí?
Respondo: A infraestrutura local atende parcamente seus moradores.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Lampejo nas calendas da justiça capixaba


Há cerca de dois anos a justiça capixaba vem tomando uns safanões que estão colocando partes das suas vísceras a público - Operação Naufrágio. As revelações não são novidades, apenas ganham agora o crivo oficial.
O Juiz Robson Louzada Lopes escreveu na página de Opinião, de A Gazeta/Vitória, de 27/02/10, o seu incomodo com o sabor do tempero do caldo das extrepolias da banda bandida servido ao distinto público. Abre o texto se identificando, dizendo onde atua e destacando a "existência de duas personalidades distintas no Poder Judiciário nacional, quais sejam, os juízes do paço e os juízes republicanos".
E sentencia: "Os primeiros perpetuam a maldição colonial brasileira que inaugurou o péssimo hábito da prestança entre seus membros e a elite podre deste país, o que resulta até hoje em nepotismo, corrupção, venda de sentenças, atos contrários ao povo etc., sendo que em sentido diametralmente inverso, os segundos são originados de verdadeira aprovação em concurso público, trazendo consigo a formação republicana, ética, democrática e idealista, sendo que em razão de sua jovialidade intelectual são destinados a enfrentar os aliados do paço, ainda que isso lhes custe por vezes a própria vida".
Não tenho motivos pra crer na tal celeridade da justiça. Talvez na próxima passagem aqui mude de opinião. Serão necessárias décadas pra que a balança e olhos vedados tenham o equilíbrio que buscam transmitir.
Os lampejos, portanto, que surgem vez em quando, somem nas calendas da estrutura deste poder.
Aqui o "Desabafo de um juiz", um cicio diante da maioria silenciosa.
"Nunca houve uma idade de ouro para a justiça", escreve José Saramago.
Leia mais aqui.
Se o seu saco ainda não encheu aqui o conluio das "grandes famílias" que se aboletaram da "justiça capixaba" através de fraudes em concurso.
Argh!! Para que eu quero descer.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Senhor trovão, por enquanto


Pesquei o desejo oculto, a seguir, nas águas revoltas da entrevista do "Senhor Trovão" Paulo Hartung, governador do ES: "Enchente ou mão de gente. Enchente nós não estamos tendo, ao contrário, estamos precisando de chuva, então é......... ".
Pois é, Dino, - http://dodinogracio.blogspot.com/ -, ainda não aflorou o poder sobrenatural do "Senhor Trovão".
Por enquanto a chuva continua sendo regida pelos fenômenos naturais.
Ainda bem!!!!!!
Aqui a entrevista.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Eu tenho siringomielia XI


Nós penamos mais

Sei. Já saímos dos quartinhos dos fundos onde a hipocrisia humana "escondia seus defeituosos" explícitos, pois a regra é espécime com aparência robusta, bela e infalível.
To tendo o privilégio de transitar pelos dois lados.
Fui "andante' até os 38 anos, tempos que permitiram desafiar o limite humano. Depois, pego pela siringomielia, fique cambaleante, bengaleiro e agora empurro um andador. A próxima etapa é a cadeira de roda, onde já treino.
Nada que não se adapta desde que comicha na gente aquela vontade de tocar a tropa.
Do contrário, é uma derrota, diria colega meu.
Em julho de 2009, iniciei o processo para a compra de um carro zero bala, requerendo a isenção do IPI, na Receita Federal, que deveria ser liberado em até 120 dias. Acompanhei a tramitação pelo site, que sempre informava: Em andamento. Em janeiro último, seis meses depois, intrigado, fui checar: O documento ficou pronto e não remeteram como é de praxe.
O "esquecimento" foi providencial. É que surgiram opções de carros intermediários, equipados com câmbio automatizados, escolha que fiz, com preço mais em conta, dando pra continuar de pé e dormindo o sono tranquilo, longe dos pesadelos com dívidas.
A etapa seguinte foi requerer a isenção do ICMS na Secretaria Estadual da Fazenda. Pedi o colega Maurício pra protocolar a documentação. A Agência do órgão fica no centro de Cachoeiro de Itapemirim, sem estacionamento e com uma escadaria de botar medo em qualquer portador de deficiência.
Recusaram. Orientado, Maurício me ligou e passou o telefone pra falar com a funcionária, exigindo a Carteira de Motorista com a observação DEFICIENTE. Argumentei que o Decreto de Isenção do ICMS pede o Laudo do Detran ou a Carteira. Na falta da Carteira, o cabra tem até 180 dias de prazo pra apresentá-la.
Simples, não?
Maurício retornou. Destaquei as opções laudo ou carteira, explicitados no formulário de orientação, pra nova tentativa de protocolar. Escapou de ser jogado escadaria abaixo.
Voltei pra casa disposto a ir à guerra.
Liguei pra Secretaria, em Vitória, e falei com o Serviço de Orientação. O funcionário veio com a mesma bobagem. Argumentei que me obrigava a comprar um veiculo para adaptá-lo ou automatizado, sem os benefícios fiscais pra regularizar a carteira. Só assim teria direito a isenção do ICMS. Ou mudar o decreto, propus, acabar com a opção do laudo, beneficiando somente que já a carteira com a restrição deficiente.
Ufa! Entendeu.
Liguei e contei ao chefe da Agência da Secretaria sobre a batalha fratricida. Retornou depois orientando fazer um "novo requerimento". Transcrevi parte do laudo, destacando a obrigatoriedade do "veículo adaptado, câmbio automático ou automatizado", e "retornar pra prova de rua".
Fomos pra Cachoeiro, agora com a Paula, minha mulher. Lá chegando, o funcionário que recusou a documentação, comentou:
-Agora, sim.
Com mais sarcasmo, marcou pra daí a dois dias a liberação da isenção. Escaldado, pedi a um contador daqui pra retirá-la, que só ficou pronta dez dias depois.
Tá achando que acabou?
Namorei, via internet, o Voyage, da Volkswagen. Todo pomposo fui às compras. O primeiro susto veio com valor, três mil a mais, em relação ao preço do site. Foi um aperitivo ao que estava por vir. Pediram novos documentos, agora a isenção do ICMS de SP, novo laudo do DETRAN, e o absurdo do absurdo: meu EXTRATO BANCÁRIO.
Sei da necessidade de um instrumento legal que garanta o negócio.
Pra mim, a exigência EXTRATO BANCÁRIO soa como quebra de sigilo fiscal, eivada de preconceito da minha incapacidade de gerir a vida. Nem as receitas estadual e federal chegaram a tanto, pedindo tão somente comprovante de renda.
Deixei claro na negociação que o pagamento seria a vista.
Pedi a vendedora pra enviar por e-mail a relação dos documentos. Paralelamente, cotei com outra concessionária, de Vitória, que reafirmou preço e o EXTRATO BANCÁRIO.
OU SEJA: É UMA PRÁTICA NEFASTA DA VOLKSWAGEN.
É claro que desisti. Quando estava na concessionária Itacar, de Cachoeiro, reencontrei o vendedor com quem vinha conversando. Tinha ido lá acertar a sua rescisão contratual e que agora estava na Fiat. Fechei com ele, assinando um termo de compra e não exigiu novos documentos.
Sobre o ICMS, aceito, pois cada Estado é autônomo pra legislar sobre o tributo.
Já o EXTRATO BANCÁRIO.......... vade retro Wolkswagen!!!!
Em tempo: É lenda urbana que os descontos do IPI/ICMS pode chegar a 30% do valor do veiculo. No máximo 25%. Caso for financiar tem ainda o desconto do IOF, requerido junto com o IPI.
O carro é faturado na fábrica em nome do deficiente.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

A Dubai capixaba




Entra na reta final a obra da Dubai capixaba. A rapidez tem a ver com seu mentor, o Sheik Paulo Hartung, fã do adágio "o olho do dono é que engorda o boi". Foram três visitas públicas dele, desde o início da obra, em dezembro de 2009, até sexta, 12/02/10, a mais recente vistoria. É razoável não desprezar desta conta, os sobrevoos do seu helicóptero nas vindas pra estas bandas do Sul capixaba, cumprindo "agenda administrativa', eufemismo de campanha eleitoral.
Também mandou bem ao escolher o verão pra tocar a obra, pegando carona no povo que vem pra cá se refrescar no oceano e no ar marinho.
Não vi aplausos, embora fosse comum observar grupos de pessoas próximos da obra, certamente confabulando "opiniões técnicas" do achismo, esta nossa instigante mania de sabedoria.
Minha curiosidade mórbida é saber se foi na Praia Central que a Excelência salgou a bifa pela primeira vez na vida. Um dia desfaço o mistério e conto aqui.
Abrindo o jogo: Dubai capixaba foi chupada da coluna do Ancelmo Góis, do jornal O Globo, termo usado pra batizar a obra de recuperação da orla da Praia Central, de Marataízes, sul do Espírito Santo.
São cinco espigões de pedras, lembrando um anzol, construídos a intervalos de 500 metros, num trecho de 2 km de praia, completados por um aterro de 50 a 70 metros de extensão por 3 a 3,7 metros de altura, mar adentro.
A areia misturada a água e otras cositas más - conchas, pedaços de arrecifes, peixes, mariscos, etc, etc.... -, vem por uma tubulação ligada a uma draga no mar, despejando de 2 a 2,5 mil metros cúbicos por hora desta mistura, que é espalhada por tratores de esteiras e retroescavadeiras, fazendo a terraplenagem. A obra impressiona. O valor também: Aproximadamente $ 60 milhões.
Por ser um projeto complexo, envolvendo mar e suas correntes, é bom dar um tempo pra uma avaliação do benefício/impacto.
A expectativa maior é saber se toda a praia será recuperada pra banho. Na base do achismo, aventuro dizer que será mantida a enseada formada no primeiro espigão. O que é pouco pra expectativa local e também pelo investimento.
O restante é uma incógnita pela aposta que fazem na corrente marítima pra aterrar a maior parte da obra, que fica em mar aberto, diminuindo a profundidade, dando segurança de banho as pessoas.
Nas fotos da Paula, captadas pela máquina do "colega meu", os espigões com e sem aterro.
Clique pra ampliar.

Em tempo: A draga, de bandeira norueguesa, com cerca de 16 tripulantes e capacidade pra 400 toneladas de combustível - ela vai a Vitória pra reabastecer-, veio de Portugal, onde executava serviço idêntico, recuperando cerca de 5 km de orla na Costa da Caparica, próximo de Lisboa. Como se vê vão apertando o mar ao redor do mundo. E ele quer o seu de volta, dizia o velho pescador.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Afroxa, Maurício


-Afroxa um pouco, Mauricio. Muito peso, assim eu infarto.
Suplicou o uruguaio, Juan, fazendo a base da pirâmide de um ménage à trois com uma nativa de Porto Seguro, Bahia.
A princípio, o gringo relutou em participar do ménage, condição imposta pela nativa pra ficar com eles. Alegando questão de fórum íntimo, puxou o parceiro Maumau para o canto e sussurrou em seu ouvido:
- Eu tenho receio de brochar.
Maumau, à época um mundano movido a álcool, elemento capaz de quebrar qualquer timidez, não deixaria escapar tal oportunidade. Rápido, elaborou um plano alternativo. Propôs ao gringo dos três irem para o quarto. Lá ele ficaria tomando banho, deixando os dois bem à vontade.
Proposta feita, proposta aceita.
Já no quarto, Maumau seguiu o script, indo direto ao banho. Depois de um certo tempo, tomado pela curiosidade, foi incapaz de cumprir integralmente o acordo.
Saiu e deparou com a nativa cavalgando Juan, cena que instigou seus instintos e mexeu com a libido. Nas suas palavras: "a lua piscando ali na frente dos meus olhos".
-Vou nessa.
E foi, juntando-se à dupla.
Ao atingir o prazer, relaxou, tomado por aquela sensação que acontece a todos nós nestes instantes, desabando com a nativa sobre o gringo.
Sufocado, ele implorou:
- Afrouxa, Maurício.....
Terminada a brincadeira, rumaram pra Salvador, objetivo inicial da viagem ao sair de Vitória.
Porto Seguro foi um desvio de rota, como também não imaginavam encontrar tal aventura.
Maumau passa hoje longe da bebida, embora frequente locais onde ela impera, mas preservou humor pra contar suas peripécias de bad boy.